Com a contagem decrescente para a chegada do Ano Novo, é inevitável estarmos mais sensíveis a tudo o que nos rodeia, estando as emoções à flor da pele, e sentirmos e vivenciarmos tudo com mais intensidade.
Quando um ano termina, temos a tendência a culpabilizarmo-nos pelo que não fizemos, não conseguimos, ou não fomos capazes de concretizar. Em vez de adotarmos uma postura de nos lamentarmos pela situação menos positiva que passou, devemos parar e refletir, todos somos capazes do que nos propomos fazer, não devemos olhar para o “copo vazio”, mas preencher esse vazio, tomando uma atitude.
Seria interessante escrever num papel tudo o que aconteceu na sua vida durante o ano, o que conseguiu atingir e o que não conseguiu, e o que pode fazer para melhorar e aprender com essa situação. Ao fazer essa reflexão crítica, está a identificar o foco do problema e com certeza vai encontrar a resposta dentro de si.
Sabemos também que não temos o controlo de tudo, mas podemos contornar a situação, melhorar e aprender com as experiências. Isso irá trazer alívio e paz para o seu coração e, essencialmente, não se esqueça de reconhecer cada conquista e agradecer.
Reconhecer as suas limitações e permitir-se evoluir com elas, porque todo o ser humano está em constante aprendizagem e evolução. Tire tempo para fazer o que gosta, não culpe os outros pelo que não fez, mas esforce-se por realizar os seus sonhos e seja feliz nesta época festiva.
Para muitos de nós é mais fácil olharmos para aquilo que não queremos ver repetido no novo ano que iniciamos, desejar coisas novas, diferentes, melhores, do que focarmo-nos no que passou ou está ainda a passar-se. Como em muitos outros momentos, depositamos o nosso tempo e energia a fazer algo enquanto prestamos atenção noutra coisa qualquer, o que nos faz perder, por um lado, momentos significativos das nossas vidas, e, por outro, a consciência dos julgamentos e escolhas que vamos fazendo no nosso dia-a-dia. Mas, sem estarmos atentos ao presente, como podemos no futuro não repetir os mesmos padrões do passado? Como podemos questionar os julgamentos que vamos fazendo, a forma como agimos, ou duvidar que as nossas crenças podem não corresponder a uma realidade factual e imutável?
Por outro lado, prendermo-nos aos erros do passado, faz com que a autocritica, aquela vozinha interior, consiga por estes dias um ambiente ótimo para florescer, minando a nossa confiança em nós mesmos, e comprometendo fortemente o nosso bem-estar: “devias ter feito isto e aquilo! Muito bem… um ano passou e quantas das tuas resoluções para 2023 concretizaste?”. Contudo, uma voz construtiva, de aperfeiçoamento, que nos ajude a fazer ajustes, a corrigir o que precisa ser corrigido, é muito bem-vinda.
Esquecemo-nos muitas vezes que a vida é naturalmente imprevisível e imperfeita, e por isso esquecemo-nos também de ficar gratos pelo que temos, ambicionando quase exclusivamente mais e melhor. Experienciar gratidão pelo que temos, na simplicidade de um pôr-do-sol, ou no sorriso de outra pessoa, não faz de nós pessoas ingénuas e/ou pouco ambiciosas. As pessoas que estão gratas pelas e nas suas vidas já passaram, muitas vezes, por momentos de profundo sofrimento e perceberam que, para elas, são as simples, mas significativas coisas da vida que fazem com que tudo valha a pena, perceberam que não precisamos de ter medo de viver o momento (pelo contrário), que isso não nos torna mais fracos e vulneráveis, e que nos permite continuar a abraçar (até de forma mais completa e profunda) novos e grandes desafios. Estarmos gratos não compromete o nosso esforço e empenho no nosso futuro, permite-nos, contudo, aceitar que temos mais motivos para nos sentirmos satisfeitos e orgulhosos acerca de quem somos e do que alcançámos, do que ousamos habitualmente reconhecer.
No início de 2024 venho propor que possamos olhar com gratidão para o ano que agora encerrou: as aprendizagens que fizemos, as pequenas (ou grandes) coisas boas que nos aconteceram, as menos boas que conseguimos evitar ou com as quais soubemos lidar.
Proposta de livros: O Segredo de Rhonda Byrne (2007); O Poder do Agora de Eckhart Tolle (2010); As Quatro Verdades de Don Miguel Ruiz (2014); A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da de Mark Mansone (2018) e É mesmo importante? de Margarida Gaspar de Matos (Ordem dos Psicólogos) (2020)

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