quarta-feira, 1 de abril de 2026

Vamos falar de Cyberbullying


A expressão “cyberbullying” carece de tradução formal em português. É uma palavra composta, sendo o “cyber” relativo ao uso das novas tecnologias de comunicação (correio eletrónico, telemóveis, etc.) e o “bullying” relativo ao fenómeno dos maus-tratos. 
O cyberbullying mais não é do que uma evolução do bullying dito tradicional, desenvolvido através das tecnologias digitais, cuja utilização é cada vez mais frequente na nossa sociedade. O cyberbullying consiste em humilhar, excluir ou até agredir alguém, de forma repetitiva e sistemática, através de ações virtuais, mas com consequências bem reais. Este tipo de comportamentos ganha uma dimensão, visibilidade e gravidade nunca antes vistas. São várias as formas de comunicação, com recurso à Internet, que possibilitam este tipo de agressão, podendo recorrer a uma variedade de conteúdos com essa finalidade como, por exemplo, conteúdos de fotografia, de vídeo, de áudio ou de texto. 
Cyberbullying é o termo usado para descrever atos intencionais e repetidos de ameaça e ofensa, através da utilização de tecnologia, em particular dos telemóveis e da Internet. Através do correio eletrónico, dos sites, ou dos chats tem-se tornado possível levar a cabo ameaças e chantagens a cobro do anonimato. É uma forma de extorsão menos frequente, mas que tem vindo gradualmente a desenvolver-se, configurada em situações como envio de mensagens por telemóvel (SMS) persecutórias ou o envio de fotografias ofensivas. Exemplo disso mesmo é o envio de mensagens por telemóvel ameaçadoras ou a colocação de fotografias na Internet. 
Um efeito do anonimato que a Internet permite, é o facto de frequentes vezes as vítimas se converterem, também elas, em agressores, servindo-se da rede virtual para se vingarem dos seus agressores. Se “na vida real”, a hostilização é exercida pelo mais forte, na Internet pode ser exercida por qualquer um. Embora, na maioria das vezes estes meios tenham uma aplicação e utilidade positiva, mesmo do ponto de vista pedagógico, têm sido inúmeros os casos em que o utilizador, por falta de cuidado ou inexperiência, tem sido seriamente lesado. 
Os métodos usados por um cyberbully são os mais variados. O que motiva os rufiões cibernéticos são as mais variadas razões, que vão desde o gozo de ver o outro a ser humilhado e atormentado, à vingança por também terem sido já alvos de cyberbullying. Assim, existem diferentes tipos de ciberbullying, são eles:
  • Ameaças/perseguições - enviar mensagens ameaçadoras ou de ódio aos seus alvos. Podem-se fazer passar por outras pessoas, adotando “usernames” (nomes de utilizador) parecidos com os delas, para envolver outros inocentes no processo;
  • Roubo de identidade ou de palavras-passe – para entrar nas variadas contas da vítima, causando os mais variados distúrbios;
  • Criação de páginas de perfil falsas - na qual insere todo o tipo de informações maldosas, trocistas ou falsas, além de poder conter dados reais, como a morada da vítima;
  • O uso dos blogues;
  • Envio de imagens pelos mais variados meios;
  • Sítios de votação - Existindo variados sítios de Internet onde se pode votar acerca dos mais variados assuntos, é possível a um jovem criar o tema de “A Mais Impopular”, “O Mais Gordo”, etc., visando quem deseja incomodar;
  • Envio de vírus;
  • Inscrições em nome da vítima. 
De forma a prestarmos atenção à presença ou não de cyberbullying, listo alguns sinais nas crianças a que devemos estar atentos:
  • Mostrar-se aborrecido ou perturbado durante ou após a utilização do telemóvel/computador/tablet;
  • Mostrar-se triste, ansioso, preocupado ou alheado da realidade;
  • Fazer da sua vida digital um segredo ou tentar protegê-la a todo o custo;
  • Minimizar “janelas” na presença do adulto, pedir ajuda para eliminar contas ou bloquear amigos;
  • Isolar-se e evitar a família, os amigos ou as atividades habituais;
  • Recusar assistir às aulas à distância ou participar em situações de grupo;
  • Diminuição do rendimento escolar ou aparente aumento do número de horas de estudo, sem grandes melhorias de resultados;
  • Mostrar-se zangado e descontrolado;
  • Mudanças de humor, comportamento, sono ou apetite, sem justificação aparente;
  • Parar de usar o telemóvel/computador/tablet;
  • Mostrar-se nervoso e ansioso sempre que surge uma nova mensagem;
  • Evitar discussões sobre o uso do telemóvel/computador/tablet. 
De seguida, enumero algumas boas práticas no sentido de prevenir o ciberbullying:
  • Utilização de pseudónimos – pensar duas vezes antes de se usar o nome verdadeiro num perfil e, pelo menos, nunca dar o nome completo;
  • Não disponibilizar informação pessoal;
  • Utilizar um nome de utilizador e uma palavra-passe diferente de qualquer outra só para aceder à rede social;
  • Pensar bem antes de decidir pôr uma fotografia pessoal no perfil;
  • Informações detalhadas sobre o quotidiano, pormenores da vida familiar ou segredos entre amigos, não devem ser partilhados online;
  • Relembrar que uma vez publicada informação na Internet, não é possível retirá-la.
  • Respeitar a privacidade dos outros. Não se deve nunca revelar informação sobre outras pessoas;
  • A publicação ilegal de imagens é crime;
  • Restringir as pessoas que podem ter acesso ao perfil;
  • Escolher criteriosamente quem se adiciona como amigo;
  • Ter atenção quando um “amigo” virtual quer um encontro;
  • Como agir em caso de ameaças: Reportar a situação a um adulto da sua confiança e insistir até que o adulto tome providências; Não abrir ou ler mensagens provenientes de ciberbullies, mas não as apagar, pois podem vir a ser necessárias para tomar medidas; Expor a situação à escola (professores, diretor de turma, conselho executivo) se o caso estiver relacionado com a escola; Nunca concordar encontrar-se com a pessoa que apenas conheceu online; Se for fisicamente ameaçado, pedir aos pais que informem a polícia; 
  • Promover a resiliência. Ensine a criança ou jovem a lidar com situações problemáticas, a resistir à pressão, a superar obstáculos e a recuperar de momentos menos positivos.
  • Promover diálogos francos e frequentes. como as tecnologias são usadas, bem como sobre os efeitos positivos e negativos da sua utilização;
  • Reforçar a confiança para que a criança ou jovem se sinta à vontade para recorrer a si, se pressentir ou até se já existir algum problema;
  • Estabelecer regras e horários de utilização das tecnologias de comunicação;
  • Promover a utilização segura dos dispositivos;
  • Promover a utilização segura da Internet. É importante saber o que se diz e escreve online, para prevenir situações menos positivas;
  • Promover a partilha consciente de conteúdos;
  • Respeitar a privacidade e reforçar a confiança. 
Proposta de filmes: CYBERBULLY (2011) e Social Nightmare (2013)
Proposta de livros: Cyberbullying: Um guia para pais e educadores de Sónia Seixas, Luís Fernandes e Tito de Morais (2016)

Bibliografia
Ordem dos Psicólogos. (2022). COVID-19: RECOMENDAÇÕES PARA PAIS, CUIDADORES E PROFESSORES - CYBERBULLYING E SEGURANÇA ONLINE. Lisboa. Obtido de https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/covid_19_cyberbullying_pais.pdf
REPÚBLICA PORTUGUESA . (28 de setembro de 2022). Área Governativa da Educação. Obtido de Sem Bullying sem Violencia: https://www.sembullyingsemviolencia.edu.gov.pt/
Tarouca, A., & Pires, P. (dezembro de 2011). Bullying NÃO: RECURSOS DIGITAIS. Lisboa: Instituto de Apoio à Criança

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