A expressão “cyberbullying” carece de tradução formal em português. É uma palavra composta, sendo o “cyber” relativo ao uso das novas tecnologias de comunicação (correio eletrónico, telemóveis, etc.) e o “bullying” relativo ao fenómeno dos maus-tratos.
O cyberbullying mais não é do que uma evolução do bullying dito tradicional, desenvolvido através das tecnologias digitais, cuja utilização é cada vez mais frequente na nossa sociedade. O cyberbullying consiste em humilhar, excluir ou até agredir alguém, de forma repetitiva e sistemática, através de ações virtuais, mas com consequências bem reais. Este tipo de comportamentos ganha uma dimensão, visibilidade e gravidade nunca antes vistas. São várias as formas de comunicação, com recurso à Internet, que possibilitam este tipo de agressão, podendo recorrer a uma variedade de conteúdos com essa finalidade como, por exemplo, conteúdos de fotografia, de vídeo, de áudio ou de texto.
Cyberbullying é o termo usado para descrever atos intencionais e repetidos de ameaça e ofensa, através da utilização de tecnologia, em particular dos telemóveis e da Internet. Através do correio eletrónico, dos sites, ou dos chats tem-se tornado possível levar a cabo ameaças e chantagens a cobro do anonimato. É uma forma de extorsão menos frequente, mas que tem vindo gradualmente a desenvolver-se, configurada em situações como envio de mensagens por telemóvel (SMS) persecutórias ou o envio de fotografias ofensivas. Exemplo disso mesmo é o envio de mensagens por telemóvel ameaçadoras ou a colocação de fotografias na Internet.
Um efeito do anonimato que a Internet permite, é o facto de frequentes vezes as vítimas se converterem, também elas, em agressores, servindo-se da rede virtual para se vingarem dos seus agressores. Se “na vida real”, a hostilização é exercida pelo mais forte, na Internet pode ser exercida por qualquer um. Embora, na maioria das vezes estes meios tenham uma aplicação e utilidade positiva, mesmo do ponto de vista pedagógico, têm sido inúmeros os casos em que o utilizador, por falta de cuidado ou inexperiência, tem sido seriamente lesado.
Os métodos usados por um cyberbully são os mais variados. O que motiva os rufiões cibernéticos são as mais variadas razões, que vão desde o gozo de ver o outro a ser humilhado e atormentado, à vingança por também terem sido já alvos de cyberbullying. Assim, existem diferentes tipos de ciberbullying, são eles:
- Ameaças/perseguições - enviar mensagens ameaçadoras ou de ódio aos seus alvos. Podem-se fazer passar por outras pessoas, adotando “usernames” (nomes de utilizador) parecidos com os delas, para envolver outros inocentes no processo;
- Roubo de identidade ou de palavras-passe – para entrar nas variadas contas da vítima, causando os mais variados distúrbios;
- Criação de páginas de perfil falsas - na qual insere todo o tipo de informações maldosas, trocistas ou falsas, além de poder conter dados reais, como a morada da vítima;
- O uso dos blogues;
- Envio de imagens pelos mais variados meios;
- Sítios de votação - Existindo variados sítios de Internet onde se pode votar acerca dos mais variados assuntos, é possível a um jovem criar o tema de “A Mais Impopular”, “O Mais Gordo”, etc., visando quem deseja incomodar;
- Envio de vírus;
- Inscrições em nome da vítima.
De forma a prestarmos atenção à presença ou não de cyberbullying, listo alguns sinais nas crianças a que devemos estar atentos:
- Mostrar-se aborrecido ou perturbado durante ou após a utilização do telemóvel/computador/tablet;
- Mostrar-se triste, ansioso, preocupado ou alheado da realidade;
- Fazer da sua vida digital um segredo ou tentar protegê-la a todo o custo;
- Minimizar “janelas” na presença do adulto, pedir ajuda para eliminar contas ou bloquear amigos;
- Isolar-se e evitar a família, os amigos ou as atividades habituais;
- Recusar assistir às aulas à distância ou participar em situações de grupo;
- Diminuição do rendimento escolar ou aparente aumento do número de horas de estudo, sem grandes melhorias de resultados;
- Mostrar-se zangado e descontrolado;
- Mudanças de humor, comportamento, sono ou apetite, sem justificação aparente;
- Parar de usar o telemóvel/computador/tablet;
- Mostrar-se nervoso e ansioso sempre que surge uma nova mensagem;
- Evitar discussões sobre o uso do telemóvel/computador/tablet.
De seguida, enumero algumas boas práticas no sentido de prevenir o ciberbullying:
- Utilização de pseudónimos – pensar duas vezes antes de se usar o nome verdadeiro num perfil e, pelo menos, nunca dar o nome completo;
- Não disponibilizar informação pessoal;
- Utilizar um nome de utilizador e uma palavra-passe diferente de qualquer outra só para aceder à rede social;
- Pensar bem antes de decidir pôr uma fotografia pessoal no perfil;
- Informações detalhadas sobre o quotidiano, pormenores da vida familiar ou segredos entre amigos, não devem ser partilhados online;
- Relembrar que uma vez publicada informação na Internet, não é possível retirá-la.
- Respeitar a privacidade dos outros. Não se deve nunca revelar informação sobre outras pessoas;
- A publicação ilegal de imagens é crime;
- Restringir as pessoas que podem ter acesso ao perfil;
- Escolher criteriosamente quem se adiciona como amigo;
- Ter atenção quando um “amigo” virtual quer um encontro;
- Como agir em caso de ameaças: Reportar a situação a um adulto da sua confiança e insistir até que o adulto tome providências; Não abrir ou ler mensagens provenientes de ciberbullies, mas não as apagar, pois podem vir a ser necessárias para tomar medidas; Expor a situação à escola (professores, diretor de turma, conselho executivo) se o caso estiver relacionado com a escola; Nunca concordar encontrar-se com a pessoa que apenas conheceu online; Se for fisicamente ameaçado, pedir aos pais que informem a polícia;
- Promover a resiliência. Ensine a criança ou jovem a lidar com situações problemáticas, a resistir à pressão, a superar obstáculos e a recuperar de momentos menos positivos.
- Promover diálogos francos e frequentes. como as tecnologias são usadas, bem como sobre os efeitos positivos e negativos da sua utilização;
- Reforçar a confiança para que a criança ou jovem se sinta à vontade para recorrer a si, se pressentir ou até se já existir algum problema;
- Estabelecer regras e horários de utilização das tecnologias de comunicação;
- Promover a utilização segura dos dispositivos;
- Promover a utilização segura da Internet. É importante saber o que se diz e escreve online, para prevenir situações menos positivas;
- Promover a partilha consciente de conteúdos;
- Respeitar a privacidade e reforçar a confiança.
Proposta de filmes: CYBERBULLY (2011) e Social Nightmare (2013)
Proposta de livros: Cyberbullying: Um guia para pais e educadores de Sónia Seixas, Luís Fernandes e Tito de Morais (2016)
Bibliografia
Ordem dos Psicólogos. (2022). COVID-19: RECOMENDAÇÕES PARA PAIS, CUIDADORES E PROFESSORES - CYBERBULLYING E SEGURANÇA ONLINE. Lisboa. Obtido de https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/covid_19_cyberbullying_pais.pdf
REPÚBLICA PORTUGUESA . (28 de setembro de 2022). Área Governativa da Educação. Obtido de Sem Bullying sem Violencia: https://www.sembullyingsemviolencia.edu.gov.pt/
Tarouca, A., & Pires, P. (dezembro de 2011). Bullying NÃO: RECURSOS DIGITAIS. Lisboa: Instituto de Apoio à Criança

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