Todos nós precisamos de encontrar, compreender e usar informação e serviços de saúde em vários momentos do percurso de vida, pelo que a Literacia em Saúde é uma prioridade. Elevados níveis de Literacia em Saúde permitem à pessoa ter capacidade para tomar decisões de saúde fundamentadas no dia a dia, em casa, na comunidade, no local de trabalho, na navegação no sistema de saúde e no contexto político, possibilitando o aumento do controlo sobre a sua saúde.
Baixos níveis de Literacia em Saúde estão relacionados com um maior número de internamentos e com uma utilização mais frequente dos serviços de urgência e, também, com uma menor prevalência de atitudes individuais e familiares preventivas no campo da saúde, levando a uma diminuição da qualidade de vida. Além disso, atualmente existe forte evidência de que a Literacia em Saúde contribui não só para promoção da saúde e prevenção da doença, mas também para a eficácia e eficiência dos serviços de saúde, sendo, portanto, uma ferramenta essencial para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Consequentemente, a Literacia em Saúde é uma das principais prioridades da Direção-Geral da Saúde.
A saúde é um recurso para as pessoas e para a sociedade e é uma responsabilidade partilhada entre todos, pelo que é de extrema importância unir esforços e potenciar, em todas as oportunidades, a promoção da Literacia em Saúde, de forma a capacitar e ativar a população contribuindo para a saúde, para o bem-estar e para a redução de desigualdades em saúde.
Em Portugal, os níveis de Literacia em Saúde encontram-se abaixo da média europeia. A baixa Literacia em Saúde que se verifica na população portuguesa acarreta custos individuais e sociais e apresenta-se, normalmente, associada a baixos níveis educacionais e de acesso a informação o que provoca uma consequente diminuição da autonomia da pessoa.
O termo “Literacia em Saúde” foi utilizado no contexto da educação para a saúde pela primeira vez em 1974, com o estabelecimento dos padrões mínimos de Literacia em Saúde no contexto escolar. A evolução do constructo tem vindo a conquistar, progressivamente, importância e impacto significativos nas abordagens em saúde.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS, 1998), a Literacia em Saúde representa as competências cognitivas e sociais que determinam a motivação e a capacidade de os indivíduos acederem, compreenderem e utilizarem a informação de saúde de modo a contribuírem para a promoção e manutenção da sua saúde. Implica a aquisição de um nível de conhecimento, competências pessoais e confiança para agir, de modo a melhorar a saúde individual e comunitária, através da alteração de comportamentos, estilos e condições de vida, representando um fator crítico para o empoderamento e capacitação da população, naquilo que à saúde diz respeito.
No âmbito da saúde, a Literacia em Saúde Digital permite à pessoa procurar, encontrar, compreender e avaliar informações de saúde a partir de fontes eletrónicas e aplicar os conhecimentos adquiridos para responder a questões e resolver problemas relacionados com saúde.
É muito importante ter em consideração que nem toda a população está familiarizada com o mundo digital. Embora muitas pessoas usem meios digitais para gerir a sua saúde, há também grupos de pessoas idosas, vulneráveis ou de origens socioeconómicas desfavorecidas que não usam esses meios por terem acesso limitado aos mesmos, ou por terem baixos níveis de Literacia em Saúde Digital.
Construir competências e capacidades de Literacia em Saúde é um processo que se desenvolve ao longo da vida. Mesmo pessoas com altos níveis educacionais podem ter dificuldade em lidar com o Sistema de Saúde, nomeadamente quando uma condição de saúde os pode tornar mais vulneráveis.
A Literacia em Saúde permite otimizar a procura de soluções para os problemas de saúde. Promove os estilos de vida saudável em geral, bem como comportamentos preventivos e protetores da saúde em particular, pelo que a sua promoção deve ser fomentada.
A Literacia em Saúde deve ser promovida, preferencialmente, nos diferentes contextos do quotidiano das pessoas. É cada vez mais importante que sejam disponibilizadas ferramentas que facilitem a interpretação da informação que lhes é disponibilizada e que, consequentemente, possam tomar decisões e opções de forma consciente.
Pessoas motivadas e confiantes na sua capacidade de usar os seus conhecimentos e habilidades são mais propensas a serem participantes ativas na manutenção e na melhoria da sua saúde.
O estado de saúde é explicado não apenas pelo bem-estar físico, como também pela perceção, boa ou má, que a pessoa tem da sua saúde física, mental e social.
Para concluir, deixo-vos alguns conceitos importantes acerca do sistema de saúde:
- CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS (CSP): São o primeiro nível de contacto entre os profissionais de saúde e a população. São constituídos por unidades de saúde muito próximas da população permitindo a atribuição de uma equipa de saúde familiar para a prestação de cuidados de saúde ao longo do ciclo de vida da pessoa e da sua família.
- CUIDADOS DE SAÚDE HOSPITALARES (CSH): São estabelecimentos de saúde, com diferentes níveis de diferenciação, constituídos por meios tecnológicos que não existem nos CSP. Tem como objetivo principal a prestação de cuidados de saúde durante 24 horas por dia.
- SNS 24: O Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde - SNS 24, caracteriza-se por: Disponibilizar um conjunto de informações e serviços que facilitem o acesso e simplifiquem a utilização do SNS e orientar o cidadão para os serviços de saúde mais adequados às suas necessidades, contribuindo para a diminuição de situações de congestionamento dos serviços de saúde, como os serviços de urgências ou mesmo os serviços administrativos.
- FARMÁCIAS COMUNITÁRIAS: No âmbito da farmácia comunitária, os farmacêuticos garantem que as pessoas estão totalmente informadas sobre os seus regimes terapêuticos, de forma a minimizar os erros e a hesitação na toma da medicação; A confiança e a proximidade entre o farmacêutico e a população contribuem para a constante promoção da Literacia em Saúde. Os farmacêuticos comunitários estão empenhados em disponibilizar cada vez mais serviços essenciais à saúde do utente, quer na vertente preventiva quer na vertente terapêutica.
Proposta de filmes: Manchester By the Sea (2017) e First Reformed (2017)
Proposta de livros: Literacia em Saúde e Autocuidados - Evidências que projetam a prática clínica de Ana Galvão (2021); Decidir em conjunto sobre a nossa saúde e Doentes em segurança (Serviço Nacional de Saúde)
Bibliografia
Direção de Serviços de Prevenção da Doença e Promoção da Saúde. (2018). PLANO DE AÇÃO PARA A LITERACIA EM SAÚDE 2019-2021. Lisboa, Portugal: Direção-Geral da Saúde.
Direção-Geral da Saúde. (2019). Manual de Boas Práticas Literacia em Saúde: Capacitação dos Profissionais de Saúde. Lisboa .
Ordem dos Psicólogos dos Portugueses. (2020). Literacia em saúde, O Papel do Psicólogo – Manual de Apoio Pedagógico. Lisboa.
Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2015). Literacia em Saúde. Lisboa.

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