A palavra resiliência vem do latim resilio, que significa retrocesso, saltar, voltar a pular. Originária das Ciências Físicas, a utilização do conceito de resiliência no campo das Ciências da Saúde data da década de 70.
Como conceito físico, refere-se à capacidade dos materiais resistirem aos impactos e recuperarem a sua forma original. Em psicologia e no campo da gestão do stress é utilizada como uma capacidade de superar situações altamente stressantes ou traumáticas sem sofrer sequelas.
A resiliência é então a capacidade que nos permite lidar com os nossos problemas e superá-los, adaptarmo-nos a mudanças e transformarmos experiências negativas na nossa vida. A resiliência ajuda-nos a gerir melhor o stresse das situações difíceis e a aproveitarmos as coisas boas da vida, mesmo quando há aspetos que correm mal. A resiliência não vai fazer com que os nossos problemas desapareçam. Não é uma solução mágica. Não é aguentarmos sozinhos tudo o que nos acontece, sem nos queixarmos. Pelo contrário, é saber pedir ajuda quando precisamos dela. O indivíduo resiliente é aquele que se encontra exposto a condições adversas, mas que utiliza os seus recursos intra e interpessoais para ultrapassar as dificuldades e, apesar de estar inserido num ambiente de risco, consegue ser bem-sucedido na sua vida pessoal, profissional e social. Desta forma, a resiliência contribui positivamente para a qualidade de vida e para o bem-estar do indivíduo.
As condições que ajudam as pessoas a lidarem positivamente com os problemas e as situações, sem se deixarem abater pelos seus efeitos, são designadas de fatores de proteção. Tendo em conta que podem variar de acordo com aspetos culturais e etários, apresento a seguir 4 fatores de proteção transversais e multiculturais:
1. Desenvolver relacionamentos interpessoais onde exista afeto e apoio. Quando a vida parece desmoronar-se é importante ter bons amigos com quem contar. Para ter amigos é necessário ser-se amigo. Ter pessoas capazes de escutar sem julgar, pessoas das quais sabemos “que estão lá!” Para cultivar esta disponibilidade e confiança, é fundamental cuidar de si próprio. Aumentar a autoestima, valorizar-se física e intelectualmente, quer a nível pessoal, quer profissional. Aprender a gostar de si próprio, aumenta a predisposição para ter melhor humor, sentir-se mais animado, mostrar um sorriso e estar disponível para dar, sem pedir ou esperar algo em troca. Ao invés, as pessoas que alimentam relações onde imperam as agressões verbais, as zangas, as críticas destrutivas, a desonestidade e a prepotência, geram tensões, conflitos, desconfiança e afastamento (por vezes irrecuperável).
2. Resolver problemas e fixar objetivos. Face a obstáculos, as pessoas mais resilientes acreditam em si próprias e têm uma atitude positiva que as torna capazes de continuar a atingir objetivos e obter sucessos.
3. Participar ativamente, dedicarem -se a hobbies ou terem ocupações que lhes proporcionam prazer, nomeadamente, a prática de um desporto, cantar ou tocar um instrumento musical, pintar, ler ou escrever. Um dos benefícios advém de estas práticas ajudarem a esquecer, de uma forma saudável, os problemas e o stresse, fazendo com que se sinta útil.
4. Aprender continuadamente. As “ferramentas de desenvolvimento pessoal” inserem-se entre as mais importantes. É possível aprender a definir claramente expectativas, a focalizar-se em prioridades, a dizer “não”, a gerar alternativas, a gerir conflitos, a liderar, etc.
A resiliência é algo que se constrói, requer tempo e prática, tentativa e erro. Deste modo, para que possamos promover a resiliência, devemos:
- Alimentar relações positivas com familiares e amigos, que nos acompanhem nos dias bons e menos bons, que nos ajudem a pensar e a lidar com os nossos desafios;
- Procurar o sentimento de pertença à família ou a um grupo social;
- Realizar atividades que envolvam a utilização de competências pessoais e sociais, a autoeficácia, o autoconhecimento e a autoestima;
- Aceitar que a mudança e a incerteza fazem parte da vida;
- Encontrar significados. Fazer coisas que, diariamente, dão sentido e propósito à nossa vida;
- Reconhecer e aprender com a nossa própria experiência. Todos nós já passamos por momentos difíceis - que recursos, estratégias e competências usámos para os ultrapassar;
- Cuidar do nosso bem-estar. Respeitar as nossas rotinas de sono e descanso, manter uma alimentação saudável, fazer exercício regularmente. Envolvermo-nos em atividades de lazer e hobbies que nos deem prazer;
- Cuidar da nossa Saúde Psicológica. Prestar atenção aos nossos sentimentos e necessidades e reconhecê-los. Recorrer ao humor sempre que possível;
- Falar sobre o que nos preocupa ou angústia. E, sempre que necessário, pedir ajuda.
Para concluir, somos mais resilientes quando estamos atentos à nossa saúde (física e psicológica), respeitamos as nossas necessidades de sono, fazemos uma alimentação equilibrada e fazemos atividade física regular. Quando gostamos de nós e nos aceitamos como somos, confiamos nas nossas capacidades para resolver problemas, encontramos o nosso potencial escondido para seguir adiante e quando nos transformamos e temos orgulho em nós próprios. Quando nos propomos atingir objetivos realistas, nos focamos no que podemos controlar, aprendemos com os nossos erros, partilhamos com amigos/ família os nossos sentimentos, preocupações e sucessos, confiamos no outro e pedimos ajuda sempre que precisamos. Quando enfrentamos, superamos e saímos fortalecidos das adversidades. Quando cuidamos de nós, reconhecemos e desenvolvemos os nossos talentos. Quando crescemos de maneira ativa, criativa e otimista, encontramos disposição para sonhar e olhar adiante, temos a mente aberta e recetiva a novas ideias para encontrar novos caminhos, sabemos ir procurar a luz ao fundo do túnel para iluminar a escuridão, olhamos para além do problema e procuramos uma solução.
Proposta de filmes: La vita è Bella (1997) e The Pursuit of Happyness (2006)
Proposta de livros: Lá, onde o vento chora de Delia Owens (2019) e Britt-Marie esteve aqui de Fredrik Backman (2019)
Bibliografia
Cruz, E. (s.d.). RESILIENCIA Y PATRÓN EVOLUTIVO. UTCCB / Centro de crisis de la Facultad de Psicología.
Matos, M. G., Gaspar, T., & Social, M. F. (Abril de 2013). Aventura Social no CED: Intervenção numa Comunidade Educativa. Lisboa: Aventura Social.
Molina-Loza, C. A. (2-5 de julho de 2003). Resiliência: Um olhar diferente sobre a tragédia humana. VI Conferência internacional de filosofia, psiquiatria e psicologia.
Oliveira, A. (5 de Abril de 2016). O Blog de Desenvolvimento Pessoal e Profissional . Obtido de O papel dos fatores de proteção no desenvolvimento da resiliência: https://www.blog-desenvolvimento-pessoal.pt/2016/04/05/fatores-protecao-no-desenvolvimento-da-resiliencia/
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