terça-feira, 15 de outubro de 2024

Vamos falar de Famílias Multiproblemáticas

 


A família representa um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições. É formado por pessoas ligadas por descendência a partir de um ancestral comum, matrimónio ou adoção. Dentro de uma família, existe, sempre, algum grau de parentesco. A família é unida por múltiplos laços capazes de manter os membros moralmente, materialmente e reciprocamente durante uma vida e durante as gerações.
Uma família funcional permitirá a realização de duas funções fundamentais: o assegurar da continuidade do ser humano, é nela que o indivíduo nasce, cresce, reproduz-se e morre, num processo contínuo ao longo das gerações, transmitindo vida. Uma segunda função, que decorre desta primeira, consiste na possibilidade de fazer a articulação indivíduo/sociedade, ou seja, torna possível o equilíbrio entre o crescimento e individuação (a nível afetivo, cognitivo e comportamental) e a socialização de cada membro da família.
Segundo Linares (1997), as famílias multiproblemáticas constituem-se como um dos emblemas da Pós-Modernidade, a par de outros fenómenos como a toxicodependência. O conceito despontou no final dos anos 50, no âmbito do trabalho social, e mais tarde no da saúde mental, estando, inicialmente, associado às famílias mais desfavorecidas social e economicamente. Se durante muitos anos, a ciência não manifestou interesse pelo estudo de pessoas consideradas socialmente desfavorecidas, com a Revolução Industrial a situação inverteu-se, devido ao progressivo aumento da inserção dessas pessoas no mercado laboral. Considera-se, então, que a emergência do conceito é contingente às transformações da sociedade industrial: até aí as famílias tinham uma vivência profundamente comunitária, passando, depois, a uma vivência de isolamento e de valorização da vida privada.
Segundo Sharlin e Shamai (2000), este termo foi introduzido por Hoffman para definir famílias com problemas sérios em mais de uma das seguintes áreas: saúde, gestão economia, ajustamento social e necessidades recreativas, dando, dessa forma, maior ênfase a problemas específicos da família do que às suas características. Por outro lado, nos seus primórdios, este conceito identificava famílias de baixo nível socioeconómico, não dando atenção às situações caracterizadas por relações interpessoais e sociais específicas entre os membros da família. Contudo, em trabalhos posteriores, autores como Mazer (1972) ou Thierny (1976), verificaram que estas famílias não se caracterizavam necessariamente por situações de pobreza extrema, mas sim por revelarem dificuldade na gestão dos recursos económicos disponíveis, o que levaria a uma alternância cíclica entre fases de bem-estar e fases de crise.
As famílias multiproblemáticas distinguem-se pela presença de múltiplos problemas de longa duração e forte intensidade, que afetam um número indeterminado de elementos, em simultâneo e/ou em sequência, sendo que os sintomas individuais desempenham um papel secundário face ao sintoma familiar que se relaciona com caos e desorganização.
Cancrini et al. (1997, p. 52) sugere seis critérios na definição de famílias multiproblemáticas: existência simultânea em dois ou mais constituintes da mesma família, de condutas problemáticas estruturadas, constantes no tempo e suficientemente sérias para carecer de uma intervenção externa; grave carência, principalmente por parte dos pais, de exercícios de carácter funcional e afetivo, indispensáveis ao ajustado desenvolvimento da vida familiar; reforço recíproco entre o 1º e o 2º critérios; labilidade das fronteiras, próprio de um sistema determinado pela comparência de profissionais e outros elementos externos que substituem parcialmente os membros incapacitados; estruturação de uma relação crónica de dependência da família relativamente aos serviços externos, provocando a formação de um equilíbrio (relacional) intersistémico; desenvolvimento de comportamentos sintomáticos específicos, como por exemplo a toxicodependência de tipo D (sociopática).
Estas famílias têm as seguintes características:
  • Limites difusos;
  • Comunicação confusa;
  • Relações conflituosas;
  • Mulheres como figuras centrais;
  • Mães jovens e relações instáveis;
  • Instabilidade e indefinição do agregado familiar;
  • Problemas de saúde;
  • Tragédias e mortes trágicas;
  • Baixas qualificações académicas e trabalho infantil;
  • Trajetórias profissionais instáveis;
  • Elevada mobilidade geográfica;
  • Baixos níveis educacionais e a escassez de rendimentos;
  • Dificuldade da gestão financeira;
  • Problemas habitacionais;
  • Problemas ao nível das relações familiares e sociais;
  • Instabilidade na estrutura e nas relações;
  • Intensidade e facilidade com que o contexto envolvente penetra no sistema familiar;
  • Labilidade afetiva;
  • Inconstância conjugal leva, muitas vezes, à deteriorização da função parental;
  • Subsistema fraternal inconsistente. Frequentemente, constituído por vários filhos provenientes de ligações diferentes, algumas esporádicas, sendo os irmãos mais velhos que, muitas vezes, assumem as tarefas parentais;
  • Ideologia familiar próxima da marginalidade;
  • Hierarquia do poder comprometida;
  • A expressão das emoções reveste-se, frequentemente, de pouca partilha, mas de grande intensidade e pouco controlo, podendo verificar-se uma alternância, ou mesmo ocorrência simultânea, da expressão de emoções opostas;
  • O sistema familiar parece apresentar dificuldade em transformar as crises em oportunidades de transformação e crescimento.
Como refere Sousa (2005), “raramente se encontram famílias multiproblemáticas virgens de ligações com os serviços sociais”. A este propósito, Linares (1997), salienta que estas famílias consomem de forma descomedida os serviços sociais, até ao ponto de existir uma relação privilegiada entre ambas as partes, levando a que, frequentemente, seja difícil desligá-las umas das outras. Dessa forma, é possível identificar um laço de dependência centralizado na relação com serviços e profissionais enquanto mediadores do acesso a bens e subsídios, não se convertendo, no entanto, num laço forte ou de dependência com o técnico.
Uma vez que as famílias multiproblemáticas são reconhecidas, maioritariamente, pela existência de problemas, a intervenção é frequentemente desenvolvida a partir de uma perspetiva centrada no défice, focando o que está errado, ausente ou insuficiente, tentando encontrar um técnico competente para resolver os problemas diagnosticados. No entanto, este modelo tem-se revelado ineficaz, resultando na frustração dos profissionais e no desespero ou apatia das famílias, ao não reconhecer que todos os sistemas humanos são autónomos. Por outro lado, a intervenção com famílias multiproblemáticas pobres é frequentemente associada ao fracasso, até porque quando nos deparamos com uma família com diversos problemas torna-se mais difícil definir o sucesso.
Partindo do pressuposto de que todas as famílias e indivíduos são competentes, especialmente ao nível da resolução de problemas, surgiu a abordagem centrada nas forças, segundo a qual os profissionais deveriam aceder e desenvolver as forças das famílias de forma a tornar as suas vidas mais satisfatórias. Esta premissa não implica que os profissionais devam ignorar os problemas familiares, mas sim basear a sua intervenção em objetivos positivos e realistas, em detrimento dos défices.
Segundo Ausloos (2003), todas as famílias apresentam competências e recursos para responder às suas crises evolutivas, constituindo-se como núcleos que diariamente resolvem problemas. Nesse sentido, estas famílias retêm recursos, embora de difícil identificação e valorização pelos elementos externos. De entre as competências identificadas, destaca-se a existência de um forte sentimento de lealdade e de vínculos afetivos entre os seus membros, embora não executem satisfatoriamente as funções parentais, devido aos modelos de referência, também eles instáveis e inseguros. Existem ainda, outros fatores menos frequentes que potenciam a evolução positiva destas famílias, como a existência de emprego fixo em pelo menos um dos elementos, rendimento fixo e razoável, e condições de habitação adequadas.

Proposta de filmes: Kynodontas (2009) e August: Osage County (2013)
Proposta de livros: Os Pais e as Mães de Aldo Naouri (2005) e Não Há Famílias Perfeitas Mulheres, Mães e Desabafos de Marta Gautier (2009)

Bibliografia
Carlos, A. I. (2010). Famílias a Cores: Resiliência em Famílias Multiproblemáticas. Dissertação submetida como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Intervenção Comunitária e Protecção de Menores. Instituto Universitário de Lisboa, Departamento de Psicologia Social e das Organizações.
Coelho, C. S. (2017). Famílias Multiproblemáticas: A perceção da sua parentalidade. Dissertação de Mestrado em Psicologia: Área de especialização: Psicologia da Educação. UNIVERSIDADE DE ÉVORA, ESCOLA DE CIÊNCIAS SOCIAIS.
Ferraz, A. M. (2021). INTERVENÇÃO COM FAMÍLIAS MULTIPROBLEMÁTICAS. Leiria: ForYourMind, Lda.
Gonçalves, D. C. (2018). INTERVENÇÃO EM FAMÍLIAS MULTIPROBLEMÁTICAS: UM ESTUDO DE CASO. Universidade do Porto, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.
Pires, S. M. (2012). Apoio social, factores de risco e competências parentais percebidas em famílias multiproblemáticas no concelho de Silves. Dissertação de Mestrado em Psicologia da Educação. Universidade do Algarve.
Reis, I. M. (2012). INTERVENÇÃO SOCIAL COM FAMÍLIAS MULTIPROBLEMÁTICAS: Diálogos entre a Sistémica e a Mediação. Universidade Fernando Pessoa, Faculdade das Ciências Humanas e Sociais, Porto.
Silva, J. H. (2013). FAMÍLIAS MULTIDESAFIADAS EM CONTEXTOS DE POBREZA: VULNERABILIDADES E FORÇAS FAMILIARES - REFLETINDO ACERCA DA INTERVENÇÃO. TESE DE MESTRADO INTEGRADO EM PSICOLOGIA. FACULDADE DE PSICOLOGIA, UNIVERSIDADE DE LISBOA.
Sousa, L., & Ribeiro, C. (2005). PERCEPÇÃO DAS FAMÍLIAS MULTIPROBLEMÁTICAS POBRES SOBRE AS SUAS COMPETÊNCIAS. PSICOLOGIA, 19(1-2), pp. 169-191.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Vamos falar de Autocuidado


Nas últimas décadas, o termo autocuidado passou a fazer parte da linguagem comum dos cidadãos, tendo sido as redes sociais e o marketing os grandes responsáveis pela sua divulgação.
A atitude das pessoas com a sua saúde tem vindo a mudar. Há uma tendência crescente dos cidadãos tomarem parte dos processos de decisão sob medidas preventivas e de tratamentos. Esta participação requer apropriação de informação relevante e capacidade para decidir com confiança e autonomia em matéria de saúde.
Ouvimos falar muito sobre a importância de cuidarmos de nós. Com frequência, o autocuidado é apresentado como uma espécie de solução milagrosa para todos os problemas. Para o stress, para o cansaço, para as insónias ou para a depressão. Às vezes até parece que o autocuidado é uma espécie de ingrediente mágico que nos vai fazer sentir melhor. E muitas vezes faz! Mas, afinal, porque devemos fazê-lo? E como conseguimos cuidar de nós quando, muitas vezes, temos um ritmo de vida tão acelerado?
O Autocuidado envolve todas as atividades que, regularmente, escolhemos fazer e que ajudam a manter ou melhorar o nosso Bem-estar e Saúde Psicológica. Por exemplo, quando reservamos momentos para nos dedicarmos a atividades que nos fazem sentir bem, relaxados e felizes, estamos a cuidar de nós. Escolhas saudáveis também são formas de autocuidado: fazer uma alimentação saudável, manter atividade física regular e bons hábitos de sono. O autocuidado também pode passar por estarmos e falarmos com pessoas de quem gostamos e, no limite, por procurarmos ajuda profissional, ganhando um espaço e um tempo para nós próprios. O autocuidado deve refletir as nossas necessidades, interesses e preferências. Deve evoluir connosco ao longo do tempo, da fase da vida em que estamos a viver e de como nos vamos sentindo, de momento a momento.
O autocuidado é essencial para mantermos uma boa saúde física e mental. As suas vantagens resumem-se a:
  • Aumento da nossa produtividade e energia, a nossa confiança e autoestima;
  • Previne e diminui o stresse e a ansiedade e ajuda-nos a tomar decisões e a mantermo-nos saudáveis;
  • Aumento do nosso bem-estar e, dessa forma, aumenta também os nossos sentimentos de felicidade, confiança e envolvimento com o mundo e com os outros;
  • Ajudar-nos a ultrapassar adversidades e momentos difíceis;
  • Tornar-nos mais resilientes e menos vulneráveis.
Quando falamos de autoconceito podemos categorizá-lo em: físico (p.e., fazer uma caminhada, dançar), psicológico (p.e., escrever num diário, falar com um amigo), espiritual (p.e., passar tempo na natureza, meditar, rezar), relacional (p.e., conviver com amigos e família, fazer voluntariado), profissional (p.e., realizar um trabalho de que gostamos, estabelecer limites no horário laboral) e financeiro (p.e., começar uma poupança, não efetuar uma compra desnecessária).
Deste modo, clarificado o conceito e os tipos de autocuidado, será importante sublinhar de que forma o poderemos colocar em prática:
  • Fazer uma lista de todas as atividades que nos fazem sentir bem, relaxados(as) e felizes;
  • Reservar um momento do nosso dia, todos os dias, para nos dedicarmos a essas atividades;
  • Investir nas nossas relações, alimentar relações positivas com familiares e amigos. As relações com os outros podem aumentar a nossa felicidade, a nossa saúde e a nossa qualidade de vida;
  • Falar sobre como nos sentimos. Falar sobre como nos sentimos pode diminuir o stress e contribuir para que nos sintamos melhor. Se nos sentirmos ansiosos(as), stressados(as) ou sobrecarregados(as) podemos experimentar partilhar esses sentimentos com familiares ou amigos. Falar, ajuda;
  • Comprometermo-nos com o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Ambas as dimensões da nossa vida são importantes para o bem-estar;
  • Escolher alimentos saudáveis;
  • Fazer atividade física regular e manter bons hábitos de sono;
  • Viver em paz com aquilo que não podemos mudar;
  • Pensarmos que às vezes coisas tão pequenas, tão fáceis fazem a diferença;
  • Monitorizarmos o nosso autocuidado. De vez em quando é importante verificarmos se estamos a cuidar bem de nós próprios. Refletir sobre o nosso autocuidado pode ser uma oportunidade para ajustar aspetos que podemos melhorar;
  • Pedir ajuda. Se os nossos sentimentos de ansiedade e inquietação forem excessivos e persistentes. Se nos sentirmos completamente sobrecarregados(as) ou incapazes de funcionar e de fazer a nossa rotina diária, temos ao nosso dispor a linha de aconselhamento psicológico do SNS24 ou podemos procurar a ajuda de um psicólogo ou psicóloga.
Para concluir este tema, é importante salientar que, tal como as necessidades de autocuidado são diferentes, algumas atividades que escolhemos para cuidar de nós próprios também são diferentes para cada um de nós e variam conforme os momentos da nossa vida. Por exemplo, em fases em que parece que andamos sempre a correr, o autocuidado pode significar encontrar formas para desacelerar e descansar. Pelo contrário, em fases em que andamos com menos energia, o autocuidado pode significar investir em atividades que promovam a nossa ligação aos outros e ao mundo.
Reservar tempo para cuidar de nós é algo que devemos fazer regularmente, que deve ser um hábito e uma dimensão importante da nossa vida. Investirmos tempo em cuidarmos de nós não é sermos egoístas, pelo contrário, é essencial para nos sentirmos melhor, para a nossa saúde física e psicológica. E até para sermos mais capazes de cuidar e ajudar os outros.

Proposta de filmes: Wild (2014) e Walt Before Mickey (2015)
Proposta de livros: Descomplica - 11 verbos que vão transformar a tua vida (2018) e Alfabeto do Autocuidado de Helena Paixão (2022)

Bibliografia
Escola Superior de Enfermagem do Porto. (2021). Autocuidado: Um Foco Central da Enfermagem. Obtido de https://doi.org/10.48684/6sk0-ff98
Gimenes, M. V. (2023). O que é autocuidado? Por que é tão importante? Obtido de https://www.cuidar.me/blog/saude-e-bem-estar/o-que-e-autocuidado
Ordem dos Psicólogos. (2021). FACT SHEET AUTOCUIDADO E BEM-ESTAR. Lisboa.
Ordem dos Psicólogos. (2022). AUTOCUIDADO – PORQUÊ E COMO DEVEMOS CUIDAR DE NÓS? Lisboa. Obtido de https://eusinto.me/bem-estar-e-saude-psicologica/autocuidado-resiliencia/autocuidado-porque-e-como-devemos-cuidar-de-nos/

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Vamos falar de Gestão do Tempo

 


Quem de nós nunca ouviu expressões como: “Tempo é dinheiro”; “É tudo uma questão de tempo”; “O Tempo passa a voar”; “Queria que o meu dia tivesse 25 horas”.
O tempo é um conceito abstrato que não tem uma definição única. Existem muitos tempos. 
A realidade é a de que todos dispomos da mesma quantidade de tempo, diferindo apenas o modo como cada um o utiliza.
Num mundo cada vez mais tecnológico, em que tão facilmente temos acesso a informação, mas que também tão rapidamente temos que produzir e “ser visíveis”, a forma como se gere o tempo tem impacto em muitas das questões.
Nós vivemos a nossa vida toda com horas marcadas; acordar, chegar ao trabalho, almoço, volta para casa, jantar, lazer ou dever, tudo é regido por horários. Todos somos controlados pelo relógio, objeto de submissão para alguns e de culto para muitos, está por todo o lado.
A vida profissional é cada vez mais exigente e quem aposta na evolução profissional sente dificuldades em dedicar tempo livre para o seu bem-estar físico e mental, por isso saber otimizar o tempo é imprescindível para se ser bem-sucedido e ter uma vida organizada.
Tempo é um recurso escasso e precioso e ninguém o consegue gerir. Por mais que se queira, o tempo não se multiplica, mas perde-se quando não há organização, motivação e/ou método. Não conseguimos colocar as 17 horas antes das 15. 2025 só chega depois de 2024.
A gestão do tempo é um dos principais desafios da atualidade. Gestão de tempo é a arte de organizar a vida, com o intuito de controlar os acontecimentos, evitando os períodos de tempo desperdiçados. Consegue-se, definindo objetivos, identificando o que é importante e estabelecendo prioridades. Uma boa gestão do tempo implica uma correta organização pessoal e uma constante monitorização das tarefas e do tempo despendido com as mesmas. A gestão do tempo passa por se ter a noção dos aspetos, atividades e/ou comportamentos, que o consomem e que afetam negativamente a produtividade. Mas, mais importante que ter essa noção, é adotar-se uma conduta que evite esse tipo de atividades e/ou comportamentos.
Feita uma abordagem generalizada acerca da definição da gestão do tempo, importa, portanto, salientar alguns dos sintomas da má gestão do tempo, tais como: 
  • Horários sobrecarregados; 
  • Prazos não respeitados; 
  • Referência constante ao passado; 
  • Não admitir a iniciativa dos outros; 
  • Nunca recusar seja o que for; 
  • Tratar os assuntos superficialmente; 
  • Anular compromissos à última hora; 
  • Discutir assuntos profissionais durante as refeições; 
  • Decisões demasiado rápidas ou arrastadas; 
  • Fadiga/cansaço; 
  • Falta de confiança; 
  • Medos; 
  • Lamentações/queixas e aborrecimento.
É fazendo as coisas certas (eficácia) e fazendo-as bem (eficiência) que se consegue a performance. É essencial compreender exatamente como se deve utilizar o tempo e, nesse âmbito, a existência dum planeamento de tempo diário, poderá ser uma ajuda preciosa.
São vários os fatores que tornam difícil a gestão eficiente do tempo e que muitas vezes nos passam despercebidos levando, contudo, ao desperdício/consumo de tempo, daí a designação de desperdiçadores de tempo ou cronógrafos. São eles: 
  • Chamadas telefónicas desnecessariamente longas, repetitivas ou imprevistas; 
  • Interrupções constantes; 
  • Falta de pessoal; 
  • Má perceção das instruções recebidas; 
  • Perfeccionismo em acesso; 
  • Dificuldade na gestão de assuntos pessoais; 
  • Lacunas de formação e incapacidades; 
  • Dificuldades de comunicação; 
  • Indefinição de objetivos; 
  • Objetivos demasiado ambiciosos; 
  • Local de trabalho confuso/desorganizado; 
  • Equipamento insuficiente ou defeituoso; 
  • Resistência humana à mudança; 
  • Dificuldade em dizer não; 
  • Protelar e Insegurança e fadiga/doença.
O objetivo da gestão do tempo não é o de encontrar mais tempo nas horas do dia disponíveis, mas antes aproveitar o tempo disponível de forma eficiente. Desta forma, indico-vos importantes dicas para aproveitarmos melhor o tempo, tais como: 
  • Monitorizar o nosso tempo; 
  • Elaboração de planos detalhados, diários e semanais; 
  • Utilização de checklists; 
  • Definição e gestão de prioridades; 
  • Determinar um tempo limite para as tarefas; 
  • Planear a semana no Domingo; 
  • Adicionar uma lista de tarefas realizadas à sua lista de tarefas para realizar; 
  • Realizar as tarefas mais importantes e que exigem mais responsabilidade quando se sentir mais produtivo; 
  • Bloquear as distrações; 
  • Não fazer mais do que uma tarefa ao mesmo tempo; 
  • Não deixar escapar a sua inspiração – realizar as tarefas agora; 
  • Não perseguir a perfeição; 
  • Não ficar preso em pequenos detalhes; 
  • Agendar pausas entre as tarefas; 
  • Antes das reuniões, determinar os resultados que quer atingir; 
  • Utilizar bem os tempos de espera; 
  • Organizar o email; 
  • Usar a sua agenda/calendário eletrónico; 
  • Agendar tempo para relaxar; 
  • Aprender a dizer “Não”; 
  • Entregar as tarefas com antecedência; 
  • Não atender o telemóvel só porque este está a tocar; 
  • Definir o que é realmente importante; 
  • Estabelecer a sequência certa das tarefas; 
  • Identificar as tarefas que consomem mais tempo e planeá-las; 
  • Transformar estas dicas em hábitos e libertar-se de maus hábitos e cuide de si e divirta-se, será sempre o mais importante.
Na nossa cabeça alimentamos permanentemente a ideia de que precisamos de nos organizar, que precisamos de parar para definir os nossos objetivos, de forma a conseguirmos gerir melhor o tempo. Uma minoria de nós consegue estabelecer e atingir metas, sem nunca se desviar dos objetivos traçados, sem deixar que o meio envolvente perturbe o desenrolar das ações que nos levam a concluir com êxito aquilo a que nos propusemos.
Para que consigamos fazer tudo aquilo a que nos propomos, temos que ser realistas e assumir as nossas limitações, aceitar ou recusar tarefas, que sabemos à partida não termos tempo para as executar. Aceitar fazer tudo, dizer que sim a tudo é mais que meio caminho para nada se fazer, deixando-nos o amargo sabor da nossa incapacidade.
Após fortalecermos a capacidade de aceitar, ou recusar tarefas, podemos dar o segundo passo: definir as prioridades, pela ordem que entendermos e consideramos mais produtiva. Podemos estratificar as tarefas por dificuldade, para estarmos mais despertos nas mais difíceis, por tempo previsto para execução, para podermos estar mais focados nas mais demoradas.
Deixarmo-nos de procurar desculpas para o que não fazemos é um grande progresso para passarmos a ser mais eficazes, tanto ao nível profissional como ao nível pessoal. Deixar de adiar tarefas é outra condição fundamental para o sucesso.
Devemos ser nós a gerir o tempo em vez de deixar que seja o tempo a impor-se a nós e isso consegue-se com planeamento, disciplina, determinação e objetivos.
Aquilo a que chamamos gestão de tempo não é mais do que saber colocar mais energia onde é mais importante e colocar menos energia onde é menos importante.
Mais do que controlar as horas, os minutos e os segundos do dia, uma boa gestão do tempo exige, prioritariamente, a definição clara do rumo que deseja dar à sua vida e a sua carreira. Disso resultará tudo o resto: dias menos desgastantes, compromissos respeitados, tarefas realizadas no prazo programado, metas alcançadas com serenidade e convívio saudável com a família. Agendas, relógios e computadores, tidos por muitos como a solução do problema, são apenas ferramentas eficientes que o ajudarão a atingir esse objetivo!

Proposta de filmes: Click (2006); In Time (2011) e Quanto tempo o tempo tem? (2015)
Proposta de livros: Gestão de tempo e Organização do Trabalho - Guia Prático de Fernando Boavida (2021) e Como Ter Tempo para Tudo Equilibre a sua vida pessoal, familiar e profissional de Sofia Pereira (2023)

Bibliografia
Equipa PsiCarreiras OPP. (30 de dezembro de 2021). Obtido em 01 de maio de 2023, de https://psicarreiras.ordemdospsicologos.pt/o-que-fazemos-com-o-tempo/
Gabinete de Apoio Psicológico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. (s.d.). Obtido em 01 de maio de 2023, de https://ciencias.ulisboa.pt/sites/default/files/fcul/institucional/gapsi/Gerir_Energia.pdf
Silva, C. (2021). Gestão do Tempo. Ferramentas de produtividade e colaboração. Centro de Emprego e Formação Profissional de Coimbra.

terça-feira, 21 de maio de 2024

Vamos falar de Bullying

 


Bullying é um termo de origem inglesa. Em Portugal, têm sido utilizados termos como “intimidação”, “prepotência”, “violência escolar entre pares”, entre outros. Bullying é uma subcategoria do comportamento agressivo; mas de um tipo particularmente prejudicial, uma vez que é dirigido, com frequência, repetidas vezes, a uma vítima que se encontra incapaz de se defender a si própria eficazmente.
O bullying é um comportamento intencionalmente agressivo e humilhante, que ocorre repetidamente e que pode incluir ameaçar, espalhar boatos, atacar alguém fisicamente (bater, arranhar, cuspir, roubar ou partir objetos) ou verbalmente (chamar nomes, provocar, dizer às outras crianças para não serem amigas de uma delas, fazer troça) ou excluir alguém do grupo propositadamente.
O bullying não faz parte do desenvolvimento normativo de uma criança ou jovem! Desentendimentos breves são conflitos normais ao desenvolvimento — e desejáveis, enquanto oportunidades de desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas, e resolvem-se em pouco tempo. O bullying distingue-se dessas situações pela intencionalidade e continuidade do comportamento no tempo, numa relação caracterizada por uma diferença de poder ou força, tornando-se por isso uma forma grave de agressão, sendo causa de grande sofrimento emocional e dificuldades sociais em crianças e jovens, podendo impedir o desenvolvimento adequado da sua personalidade e limitar o seu ajustamento psicológico, além das consequências mais imediatas para o seu bem-estar e segurança.

Como condicionantes para o aparecimento deste comportamento, destacam-se:
  • Características pessoais, nomeadamente de temperamento;
  • Falta de empatia relativamente à outra pessoa;
  • Características do ambiente escolar – existência ou não existência de mecanismos de supervisão, de mecanismos de denúncia e, consequentemente, de intervenção e de práticas e de projetos anti-bullying;
  • Fatores relacionados com a composição e atuação do grupo de pares. Por exemplo, a existência de observadores/as, que optem por uma posição mais proativa de apoio às vítimas, constitui um fator essencial na prevenção deste tipo de comportamentos, em contexto escolar;
  • Fatores familiares – presença ou ausência de maior supervisão, de práticas punitivas no seio familiar ou, por outro lado, de superproteção. 
Relativamente às consequências do bullying para as vítimas, enumeram se as seguintes:
  • Sentimentos de mal-estar;
  • Maior tristeza;
  • Baixa autoestima;
  • Frequentes variações de humor;
  • Súbitas alterações de comportamento (enurese noturna, tiques, problemas de sono, pesadelos, perda de apetite, roer as unhas, choro fácil, gaguez…);
  • Alguma tendência ao isolamento;
  • Maior propensão para comportamentos depressivos e/ou mesmo autolesivos ou até, em situações mais graves, ideação suicida ou mesmo suicídio;
  • Possíveis alterações ao nível do aproveitamento escolar, com uma diminuição da atenção/concentração, dificuldade na integração do grupo de pares e um número reduzido de amigos/as;
  • Perceção do ambiente escolar como hostil e pouco securizante;
  • Problemas a nível das relações íntimas na vida adulta e dificuldade em confiar nos outros;
  • Problemas de ajustamento social na adolescência e vida adulta;
  • Incapacidade de se relacionarem com os outros em adultos.
No que diz respeito às consequências para os agressores, salientam se as seguintes:
  • Níveis inferiores de empatia, em relação ao sofrimento que provocam;
  • Dificuldade em fazer e manter amigos;
  • Baixa tolerância à frustração;
  • Competências de resolução de problemas pobres ou agressivas;
  • Mais impulsivos;
  • Intolerância em relação às diferenças;
  • Atitudes preconceituosas;
  • Adotar comportamentos agressivos e desafiadores, noutros contextos, com pares e adultos;
  • Maior envolvimento em comportamentos de risco para a saúde, tais como fumar, beber álcool ou usar drogas;
  • Previsões pessimistas acerca das futuras capacidades de adaptação social das crianças com comportamentos de tipo “desviante” ou perturbações da conduta;
  • Persistência dessas condutas antissociais em adultos;
  • Maior probabilidade de se envolverem, precocemente, em comportamentos de delinquência, vandalismo ou criminalidade.
Como conclusão, saliento as diferentes formas de prevenir e lidar com o bullying:
  • Desenvolvimento de interações mais positivas entre os jovens;
  • Comunicação mais assertiva;
  • Resolução construtiva de problemas e conflitos;
  • Desenvolver o autocontrolo;
  • Estratégias de pensamento reflexivo;
  • Desenvolver a empatia;
  • Cooperação e respeito pelo outro;
  • Capacidade de resiliência;
  • Estimular a autoestima;
  • Promover a comunicação entre pais e filhos, ajudando a perceber como é o seu dia a dia, a saber o que o seu filho pensa e quais as suas escolhas e comportamentos em situações de conflito que vive ou assiste, como é capaz de limitar uma escalada no conflito ou assumir comportamentos responsáveis e pró-sociais é uma forma de intervenção.

Proposta de filmes: CODA (2021) e Wonder (2017)
Proposta de livros: UM POR TODOS, TODOS CONTRA O BULLYING de Rute Agulhas e Susana Amorim (2020) e Cyberbullying: Um guia para pais e educadores de Sónia Seixas, Luís Fernandes e Tito de Morais (2016)

Bibliografia
Ordem dos Psicólogos Portugueses. (20 de outubro de 2014). Dia Mundial do Combate ao Bullying. Obtido de ORDEM DOS PSICÓLOGOS: https://www.ordemdospsicologos.pt/pt/noticia/1252
Ramalho, S. (29 de setembro de 2022). O bullying tem impacto na saúde? (V. Saúde, Entrevistador) Obtido de https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/bullying_e_o_impacto_na_saude.pdf
REPÚBLICA PORTUGUESA . (28 de setembro de 2022). Área Governativa da Educação. Obtido de Sem Bullying sem Violencia: https://www.sembullyingsemviolencia.edu.gov.pt/
Tarouca, A., & Pires, P. (dezembro de 2011). Bullying NÃO: RECURSOS DIGITAIS. Lisboa: Instituto de Apoio à Criança.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Vamos falar de Depressão

 


A depressão é um tema atual. Todos nós, num dia ou noutro, já passámos por momentos maus na vida e que prolongam o nosso estado afetivo negativo por algum tempo. Quando nos sentimos assim, consideramos estar deprimidos. Talvez isto aconteça pelo facto de a palavra depressão nos dias de hoje começar a ser mais banal entre as pessoas, que, por alguma tristeza mais prolongada, denominam esse facto de depressão, dizendo estás deprimido, trata-te.
A depressão é uma experiência muito comum. Qualquer pessoa passa por fases em que se sente farta, triste ou profundamente infeliz e, apesar de habitualmente a razão para tais sentimentos ser óbvia - uma desilusão, uma frustração, a perda de algo ou alguém importante - nem sempre isso sucede; por vezes, estamos simplesmente de "mau humor", "acordámos maldispostos" ou algo do género, mas não sabemos de facto o que se passa connosco. Por vezes, podemos não estar cientes do ponto a que estamos deprimidos, principalmente se a depressão se tiver instalado gradualmente; podemos também culpabilizarmo-nos por sermos "preguiçosos" ou "fracos"; podemos ainda tentar lidar sozinhos com essas angústias, trabalhando demais, ficando exaustos e stressados e, dessa forma, evitando pensar naquilo que nos preocupa. Por vezes, a depressão aparece "mascarada" sob a forma de sintomatologia física, como seja dores de cabeça ou insónias, ao invés de surgir a tristeza e a infelicidade.
A depressão pode ser tão grave que não nos parece sequer haver qualquer razão para viver e nestes casos a pessoa percebe e sente que não está a conseguir lidar com as coisas como habitualmente. Algumas pessoas pensam que já não há nada a fazer, mas o facto é que a depressão é uma doença e é absolutamente necessário tratá-la. Não se trata de um sinal de fraqueza - mesmo as personalidades mais fortes passam por ela.
Ao contrário dos pequenos episódios depressivos que todos nós experienciamos, com a perturbação depressiva propriamente dita as sensações de tristeza, desmotivação, apatia e solidão são mais intensas e subsistem durante muito mais tempo - meses, em vez de dias ou semanas.
A depressão é uma doença que está presente na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde. Para ser considerada uma perturbação e não uma reação normal, estes sintomas devem persistir durante pelo menos duas semanas e ser, geralmente, acompanhados por:
  • sentimentos de tristeza que subsistem ao longo do tempo
  • perca de interesse pela vida
  • tornar-se incapaz de obter prazer seja com que atividade for
  • sentir-se nervoso e agitado
  • alterações no apetite e nos padrões de sono
  • fadiga, sentir-se exausto sem razão aparente
  • perder peso e apetite (algumas pessoas ganham peso)
  • dificuldades de concentração
  • dificuldade em tomar decisões
  • perda do apego pela vida, ideias de morte ou pensamentos suicidas
  • desvalorização, sentir-se um incapaz, inadequado
  • desespero
  • evitar as relações sexuais, perder o interesse por essa atividade
  • perder a autoconfiança
  • evitar os outros
  • irritabilidade
  • sentir-se pior numa dada altura do dia, habitualmente de manhã
  • pensar na morte e no suicídio
As pessoas deprimidas têm frequentemente pensamentos negativos sobre si mesmas, sobre a sua vida e sobre o seu futuro (e.g., “sou um/a inútil”; “nada vai correr bem na minha vida”; “nunca vou ser feliz”). Experienciam frequentemente sentimentos negativos (e.g., tristeza; desânimo; desesperança) e apresentam frequentemente sintomas físicos debilitantes (e.g., dores de cabeça e/ou musculares; cansaço e/ou falta de energia; baixa capacidade de concentração). Sofrem frequentemente alterações importantes no seu comportamento (e.g., desinvestimento e/ou evitamento das atividades; sensação de que tudo requer um esforço incomportável para ser concretizado; isolamento; agitação ou lentificação).
O desenvolvimento da depressão não se deve a uma causa específica, mas a um conjunto de fatores, nomeadamente biológicos (e.g., traços genéticos), psicológicos (e.g., traços específicos de personalidade), experiências de vida difíceis (e.g., perda de emprego, divórcio, dificuldades financeiras, morte de um ente querido), problemas interpessoais (e.g., conflitos em casa ou no emprego, falta de apoio familiar e de amigos) e, ainda, condições médicas (e.g., doenças crónicas, mudanças hormonais, alguns medicamentos para o sistema nervoso). A interação destes fatores ou o aparecimento de um deles pode contribuir para o desenvolvimento da depressão.
Quando os sentimentos depressivos são mais fortes do que o habitual e não parecem melhorar, devemos procurar ajuda. O facto é que uma depressão pode afetar o nosso desempenho académico e profissional, os nossos interesses e mesmo os nossos sentimentos em relação à família e amigos. Se damos por nós a pensar que a vida não tem sentido ou que os outros estariam melhor se não existíssemos, devemos procurar ajuda imediata. Pode ser suficiente falar com um amigo ou familiar, "desabafar" com ele mas, se assim não for, devemos procurar ajuda especializada de um psicólogo ou de um psiquiatra. Algumas estratégias poderão também ser úteis, tais como:
  • Não "engolir" os problemas - tentar partilhá-los com alguém
  • Fazer alguma coisa para que não se pense constantemente naquilo que nos preocupa - prática de desporto, passeios a pé e atividades domésticas
  • Manter uma alimentação saudável
  • Resistir à tentação de "afogar" as mágoas (e.g., ingestão de bebidas alcoólicas)
  • Não pensar demasiado nas dificuldades do sono - mesmo que não estejamos a dormir, poderá ser importante ouvir rádio ou ver televisão enquanto relaxamos o corpo
  • Não negarmos que estamos deprimidos
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão é o problema de saúde mais prevalente na União Europeia, afetando cerca de 50 milhões de pessoas. As estatísticas revelam ainda que 11% da população irá sofrer um episódio depressivo ao longo da vida e que essa é a segunda maior causa de incapacidade. Portugal ocupa a 5ª posição entre os países com mais casos – cerca de 8% dos portugueses estão diagnosticados com essa perturbação.

Proposta de filmes: Helen (2009) e Cake (2014)
Proposta de livros: Durante a queda aprendi a voar de Raul Minh'alma (2020) e Reiniciar de Katherine M (2021)

Bibliografia
American Psychiatnc Association. (2013). DSM-5 - MANUAL DIAGNOSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS. (M. I. Nascimento, Trad.) Artmed.
ORDEM DOS PSICÓLOGOS PORTUGUESES. (s.d.). PROGRAMA NACIONAL DE PREVENÇÃO DA DEPRESSÃO - RESUMO.
Ordem dos Psicólogos Portugueses. (s.d.). FACT SHEET sobre Depressão.
Ordem dos Psicólogos Portugueses. (s.d.). Folhetos Anti-Estigma. Lisboa.
Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental. (11 de 02 de 2022). Ansiedade. Obtido de SNS 24: https://www.sns24.gov.pt/tema/saude-mental/ansiedade/
Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental. (11 de 02 de 2022). SNS 24. Obtido de Temas da saúde - Depressão: https://www.sns24.gov.pt/tema/saude-mental/depressao/
Sousa, M., Silva, S., Santos, A., Meira, L., Couto, A. B., Costa, L., . . . Cuijpers, P. (2004). Manual de Autoajuda para a Depressão: Como gerir e superar a depressão passo a passo. Trabalho original de Pim Cuijpers. Ordem dos Psicólogos Portugueses.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Vamos falar de Violência no Namoro


A temática da violência não é um tema recente, permanece na sociedade desde a Antiguidade e teve maior relevância a partir da década de 80.
O conceito de violência é visto como extremamente difuso, complexo, heterogéneo, multidimensional e de largo espectro de interpretação. A violência não é uma ciência exata, mas sim uma questão de julgamento, tratando-se de noções do que é aceitável ou inaceitável em termos de comportamento, e o que constitui dano. Esta é culturalmente influenciada e revista à medida que os valores e as normas sociais evoluem, sendo encarada de forma diversa nas diferentes civilizações.
A violência e os atos violentos englobam “um conjunto de comportamentos considerados reprováveis e condenáveis, dado o impacto negativo que, a curto, médio e longo prazo podem ter na qualidade de vida e na saúde dos indivíduos e das populações, levando, em casos limite, à morte”. Entende-se ainda a violência como uma “transgressão aos sistemas de normas e de valores que se reportam a cada momento social historicamente definido e como uma agressão à integridade da pessoa”.
Ser vítima de violência por parte de alguém com quem escolhemos namorar é uma experiência dolorosa e complicada de resolver. É preciso primeiro perceber que o que nos está a acontecer é violência e para nós é difícil acreditar e compreender que alguém que gosta de nós também é capaz de nos fazer mal.
O namoro assume um papel fundamental nos/as jovens, uma vez que se trata de uma oportunidade para se explorarem a si próprios e ao outro, e ainda, de companheirismo, experimentação sexual e resolução de conflitos. A adolescência é um período marcado, muitas vezes, pela instabilidade e por conflitos diversos e por mudanças significativas na natureza e importância das relações interpessoais, em que a maioria dos/as jovens começa a envolver-se, pela primeira vez, em relações amorosas. No entanto, embora para muitos/as dos/as jovens os primeiros relacionamentos sejam positivos e saudáveis, para outros/as pode tornar-se uma experiência de violência e abuso.
De forma geral, os/as jovens têm pouca ou nenhuma experiência ao nível da relação de namoro, o que os/as torna mais vulneráveis face à Violência no Namoro, bem como diminui a probabilidade de reconhecerem uma situação de violência e de abuso nas suas relações. Neste sentido, torna os/as jovens, mais suscetíveis de serem confrontados/as com situações relacionais pautadas por comportamentos violentos e outras formas de coerção, e a adotarem uma postura de legitimação destes mesmos comportamentos, no qual tendem a entendê-los como atos de amor e/ou ciúme. Contudo, é importante que se perceba que o ciúme não é sinal de amor, mas de possessividade e controlo. Uma bofetada, um insulto ou uma humilhação são formas de violência.
A violência no namoro é integrada no quadro legal de crime de violência doméstica, artigo 152º do Código Penal e diz respeito a quem infligir, de modo reiterado ou não, maus-tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais a pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação de namoro ou uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação. Este, constitui um crime público, o que significa que qualquer pessoa pode denunciar e apresentar queixa contra o agressor – não é necessário ser vítima. 

A violência no namoro poderá assumir diferentes formas:

  • Violência Física. Uso deliberado da força com a intenção de ferir, provocar sofrimento ou causar dano físico ou orgânico;
  • Violência Sexual. Imposição ou coação de práticas de cariz sexual;
  • Violência Verbal. Comunicação verbal para ferir e/ou causar sofrimento psicológico:
  • Violência Psicológica e/ou Emocional. Comportamentos verbais ou não verbais, contra a integridade psicológica e emocional e a sua dignidade enquanto pessoa;
  • Violência Social. Intenção de deteriorar ou mesmo vedar o contacto com pessoas significativas da rede social;
  • Violência Digital. Invasão das nossas contas de email, facebook, etc., quando controlam o que fazemos nas redes sociais, quando perseguem os nossos perfis;
  • Violência Económica. Restringir ou controlar financeiramente o/a parceiro/a.

Todas as formas de violência no namoro têm como objetivo magoar, humilhar, controlar e assustar. A violência nunca é uma forma de expressar amor por outra pessoa.
O ciclo da violência surgiu com a necessidade de informar/alertar as vítimas de que existem “dinâmicas da violência” e que, por isso, é necessário ter em atenção certos comportamentos e atitudes, bem como o porquê de, por vezes, ser tão difícil “abandonar” a relação de intimidade que mantém com o/a parceiro/a. Este ciclo, de acordo com a APAV (2012), pode-se dividir em três fases, designadamente: 
  1. “acumulação/aumento de tensão”;
  2. “ocorrência de agressão” ou “ataque violento” e,
  3. “reconciliação” ou, conhecida como “lua-de-mel”.
A violência é um fenómeno complexo que está em constante interação com diversos fatores desde biológicos a políticos e a identificação dos fatores associados em cada nível pode ser a chave para a prevenção da violência.
A experiência de uma situação de Violência no Namoro pode revelar-se especialmente negativa, sobretudo quando se trata de jovens, colocando em risco o seu adequado desenvolvimento e o seu bem-estar geral. Segundo a APAV, entre os principais impactos e consequências para as vítimas da Violência no Namoro, destacam-se as consequências físicas, psicológicas/emocionais/comportamentais e relacionais/sociais.
Na tentativa de prevenir os comportamentos violentos a sociedade deve desenvolver campanhas, ações ou programas que alertem as suas populações para a problemática da violência, tendo em conta as características das mesmas.
Em Portugal sabe-se que, 65,2% dos jovens reportou ter experienciado violência no namoro. De acordo com vários estudos, os principais motivos que levam um jovem, independentemente do seu sexo, a manter-se numa relação de namoro em que existe violência são o medo e a vergonha.
Como conclusão, NÃO IGNORES, NEM DESVALORIZES A VIOLÊNCIA. NÃO FIQUES EM SILÊNCIO. A Violência no Namoro não é um tema banal. ESTÁ NAS TUAS MÃOS TER UM NAMORO SAÚDAVEL! SÊ FELIZ.

Proposta de filmes: No One Would Tell (2018) e El practicante (2020)
Proposta de livros: Amar Rima com Respeitar — Prevenção da Violência no Namoro de Rute Agulhas e Susana Amorim (2020) e Amar-te e Respeitar-te: Projeto Pedagógico de Combate à Violência no Namoro de Joel Plácido, Helena Costa e Ana Gabriela (2021)

Bibliografia:
Associação Womaniza-te. (2023). Violência no namoro. Obtido de https://womanizate.pt/violencia-no-namoro/
Casa Qui - Associação de Solidariedade Social. (2022). Como saber se sou vítima de violência no namoro? Obtido de https://www.casa-qui.pt/index.php/perguntas/32-como-saber-se-sou-vitima-de-violencia-no-namoro
Duarte, C. R. (2019). Violência no Namoro: Taxa de incidência em estudantes universitários. Projeto de Graduação. Porto: Universidade Fernando Pessoa, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais.
FERNANDES, A. F. (2013). PROGRAMAS DE SENSIBILIZAÇÃO DE VIOLÊNCIA NO NAMORO IMPACTO NOS JOVENS. Tese submetida como requisito parcial para a obtenção do grau de: MESTRE EM PSICOCRIMINOLOGIA. ISPA – Instituto Universitário.
Ferreira, M., Abreu, A. L., & Neves, S. (2019). Guião para a Prevenção da Violência no Namoro em Contexto Universitário. Associação Plano i.
FILIPE, A. P. (2021). VIOLÊNCIA NO NAMORO: DESCONSTRUÇÃO DE MITOS E CRENÇAS JUNTO DOS/AS JOVENS . Mestrado em Educação Social. Escola Superior de Educação e Comunicação, UNIVERSIDADE DO ALGARVE.
Gonçalves, M. (2023). Violência no namoro: o número de denúncias é o mais baixo dos últimos quatro anos, mas será esta uma boa notícia? Obtido de Expresso: https://expresso.pt/geracao-e/2023-01-30-Violencia-no-namoro-o-numero-de-denuncias-e-o-mais-baixo-dos-ultimos-quatro-anos-mas-sera-esta-uma-boa-noticia--2d8d6328
MANUEL, S. C. (2014). A VIOLÊNCIA NO NAMORO ENTRE JOVENS ADULTOS. Porto: Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto.
Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2023). Violência no Namoro. Obtido de ESCOLA SAUDÁVELMENTE: escolasaudavelmente@ordemdospsicologos.pt
Projecto (O)Usar & Ser Laço Branco. (2011). VIOLÊNCIA NO NAMORO. Coimbra.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Vamos falar do Ano Novo… de 2024

 


Com a contagem decrescente para a chegada do Ano Novo, é inevitável estarmos mais sensíveis a tudo o que nos rodeia, estando as emoções à flor da pele, e sentirmos e vivenciarmos tudo com mais intensidade.
Quando um ano termina, temos a tendência a culpabilizarmo-nos pelo que não fizemos, não conseguimos, ou não fomos capazes de concretizar. Em vez de adotarmos uma postura de nos lamentarmos pela situação menos positiva que passou, devemos parar e refletir, todos somos capazes do que nos propomos fazer, não devemos olhar para o “copo vazio”, mas preencher esse vazio, tomando uma atitude.
Seria interessante escrever num papel tudo o que aconteceu na sua vida durante o ano, o que conseguiu atingir e o que não conseguiu, e o que pode fazer para melhorar e aprender com essa situação. Ao fazer essa reflexão crítica, está a identificar o foco do problema e com certeza vai encontrar a resposta dentro de si.
Sabemos também que não temos o controlo de tudo, mas podemos contornar a situação, melhorar e aprender com as experiências. Isso irá trazer alívio e paz para o seu coração e, essencialmente, não se esqueça de reconhecer cada conquista e agradecer.
Reconhecer as suas limitações e permitir-se evoluir com elas, porque todo o ser humano está em constante aprendizagem e evolução. Tire tempo para fazer o que gosta, não culpe os outros pelo que não fez, mas esforce-se por realizar os seus sonhos e seja feliz nesta época festiva.
Para muitos de nós é mais fácil olharmos para aquilo que não queremos ver repetido no novo ano que iniciamos, desejar coisas novas, diferentes, melhores, do que focarmo-nos no que passou ou está ainda a passar-se. Como em muitos outros momentos, depositamos o nosso tempo e energia a fazer algo enquanto prestamos atenção noutra coisa qualquer, o que nos faz perder, por um lado, momentos significativos das nossas vidas, e, por outro, a consciência dos julgamentos e escolhas que vamos fazendo no nosso dia-a-dia. Mas, sem estarmos atentos ao presente, como podemos no futuro não repetir os mesmos padrões do passado? Como podemos questionar os julgamentos que vamos fazendo, a forma como agimos, ou duvidar que as nossas crenças podem não corresponder a uma realidade factual e imutável?
Por outro lado, prendermo-nos aos erros do passado, faz com que a autocritica, aquela vozinha interior, consiga por estes dias um ambiente ótimo para florescer, minando a nossa confiança em nós mesmos, e comprometendo fortemente o nosso bem-estar: “devias ter feito isto e aquilo! Muito bem… um ano passou e quantas das tuas resoluções para 2023 concretizaste?”. Contudo, uma voz construtiva, de aperfeiçoamento, que nos ajude a fazer ajustes, a corrigir o que precisa ser corrigido, é muito bem-vinda.
Esquecemo-nos muitas vezes que a vida é naturalmente imprevisível e imperfeita, e por isso esquecemo-nos também de ficar gratos pelo que temos, ambicionando quase exclusivamente mais e melhor. Experienciar gratidão pelo que temos, na simplicidade de um pôr-do-sol, ou no sorriso de outra pessoa, não faz de nós pessoas ingénuas e/ou pouco ambiciosas. As pessoas que estão gratas pelas e nas suas vidas já passaram, muitas vezes, por momentos de profundo sofrimento e perceberam que, para elas, são as simples, mas significativas coisas da vida que fazem com que tudo valha a pena, perceberam que não precisamos de ter medo de viver o momento (pelo contrário), que isso não nos torna mais fracos e vulneráveis, e que nos permite continuar a abraçar (até de forma mais completa e profunda) novos e grandes desafios. Estarmos gratos não compromete o nosso esforço e empenho no nosso futuro, permite-nos, contudo, aceitar que temos mais motivos para nos sentirmos satisfeitos e orgulhosos acerca de quem somos e do que alcançámos, do que ousamos habitualmente reconhecer.
No início de 2024 venho propor que possamos olhar com gratidão para o ano que agora encerrou: as aprendizagens que fizemos, as pequenas (ou grandes) coisas boas que nos aconteceram, as menos boas que conseguimos evitar ou com as quais soubemos lidar.

Proposta de filmes: New Year's Eve (2011); Holidate (2022) e Stuck With You (2022)
Proposta de livros: O Segredo de Rhonda Byrne (2007); O Poder do Agora de Eckhart Tolle (2010); As Quatro Verdades de Don Miguel Ruiz (2014); A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da de Mark Mansone (2018) e É mesmo importante? de Margarida Gaspar de Matos (Ordem dos Psicólogos) (2020)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Vamos falar do Natal

 


Ansiamos desde crianças por dezembro, sonhando com o Natal, pela expetativa de abrir os presentes, um comportamento que pode produzir stresse e ansiedade.
O Natal é uma época festiva apreciada pela maioria das pessoas. Representa alguns dos valores mais nobres que existem: partilha, união, solidariedade, compaixão, alegria, otimismo, generosidade, tempo de qualidade em família e/ou com amig@s, tradições, regressar muitas vezes a lugares que já habitámos e que nos são significativos, partilhar alimentos à mesa, presentes e inclui rituais que nos ajudam a reconhecer e a agradecer as coisas boas que temos na nossa vida.
No entanto, o Natal também pode ser uma altura difícil do ano. Pode-nos provocar sentimentos de ansiedade, sobrecarga, solidão e stresse. Um ambiente onde o stresse e a azáfama de todos os preparativos, reunião de familiares e solicitações para almoços e jantares encontra o ritmo ideal para se instalar, com todos os efeitos nocivos para a saúde que este problema acaba por gerar e que, em muitos indivíduos, acabam por se acentuar nesta altura. Há também famílias para as quais o Natal pode estar associado à tristeza da perda de algum elemento ou a momentos de sofrimento passado. Para estas, a chegada de um novo ano reveste-se de muito maior importância que o Natal, sendo visto como um recomeço para algo diferente. O que para muitos é uma comemoração prazerosa, para outros é o (re)abrir de feridas profundas. Daquelas que não se veem, mas que se sentem. Daquelas que, quando se tenta ignorar, gritam com mais exuberância, até que finalmente lhes deem a atenção merecida. Pois, enquanto há festa na rua, no consultório de Psicologia há um aumento exponencial de casos. São pessoas com histórias para contar que não se coadunam com a alegria do Natal. Pessoas a quem o Natal traz memórias que não se querem ter e que doem. Os detalhes são diversos, mas a dor tem algo em comum: a desconexão em relação àqueles que eram os mais importantes para a sobrevivência física e emocional, aqueles de quem se dependia totalmente e, por algum motivo, não conseguiram corresponder. Para essas pessoas, o Natal tem significados que divergem muito daquilo que é apregoado. E isso aumenta ainda mais o sentimento de solidão; de estar sozinho entre as pessoas; a perceção de que se é o único a sentir-se dessa forma. Ainda assim, é importante salientar que não está sozinh@. Nem sequer na solidão está sozinh@. E não faz mal sentir-se assim. É totalmente compreensível. É difícil. Dói. Muito. Essa dor tem uma mensagem para lhe transmitir. Está na hora de dar atenção a essas feridas. Elas precisam do seu cuidado. E é bastante provável que precisem do cuidado de mais alguém. Um psicólogo pode ajudar. Para estar e ser consigo, em relação. Não está sozinh@.
É importante perceber que cada família tem a sua forma de festejar ou vivenciar esta época. Não devemos estranhar ou sentir tristeza por o fazermos de forma diferente de outras famílias. Podemos aproveitar e reinventar tradições. A criatividade, a empatia, o altruísmo e a partilha podem ser estimulados. Reúna a sua família e desafie-os a fazerem diferente, a reinventarem-se fora da tradição.
As tradições não têm de ser obrigatoriamente dolorosas e enfadonhas. Se o mesmo de sempre @ deixa triste, experimente fazer diferente. Não necessitamos de ter sempre um (in)feliz Natal.

Tenham o melhor Natal possível 🙂🙃🎅🎄

Proposta de filmes: Polar Express (2004); Grinch (2018); The Christmas Chronicles (2018); Klaus (2019); A Boy Called Christmas (2021); Falling For Christmas (2022); Elf Me (2023) The Velveteen Rabbit (2023)
Proposta de livros: Um Conto de Natal de Charles Dickens (2019) e Um Cântico de Natal de Charles Dickens (2022)

Bibliografia:
Ordem dos Psicólogos. (2020). COMO VAMOS FAZER (N)O NATAL? Lisboa.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Vamos falar de Comunicação

 


A palavra comunicar provem do étimo latino “communicare” que significa pôr em comum, estar em relação, partilhar. Assim, a comunicação é um aspeto essencial e inerente à existência humana. Passamos grande parte do nosso tempo a comunicar e tudo o que fazemos, cada gesto, cada olhar, é uma forma de comunicação. Cada um de nós tem um estilo de comunicação próprio que pode variar conforme as circunstâncias.
A nossa forma de comunicar é, de uma forma simples, a maneira como nos expressamos, como expressamos os nossos sentimentos e as nossas necessidades e como transmitimos uma mensagem aos outros. Podemos adotar diferentes estilos de comunicação, mediante: a forma como defendemos a nossa perspetiva e opinião; a maneira como conseguimos transmitir claramente a nossa mensagem; a forma como consideramos e respeitamos a posição do outro; a nossa capacidade de colaborar com o outro; a nossa capacidade de ouvir e compreender. Neste seguimento, podemos identificar quatro estilos distintos de comunicação principais, constituídos por um conjunto de características distintivas.
  • Comunicação agressiva, consiste em dizermos tudo aquilo que pensamos sem termos em conta a opinião do outro, expressar as nossas necessidades ou opiniões de uma forma reivindicativa e até hostil, impondo o nosso ponto de vista e tendo o foco nos objetivos próprios e desvalorização dos interesses do outro. As respostas agressivas incluem falar alto, interromper o outro ou fazer perguntas antes de ele acabar de responder, usar demasiado o “eu”, vangloriar-se, expressar opiniões como se estas fossem factos, acusar ou culpabilizar o outro. São pessoas vistas pelos outros como coercivos, hostis, intransigentes e com dificuldades de autocontrolo.
  • Comunicação passiva, caracteriza-se por deixar que seja o outro a dominar a comunicação. Há uma tendência a não revelar aquilo que pensamos e em dizermos aquilo o que os outros querem ouvir ou não dizermos nada e não fazermos valer o nosso ponto de vista. Há a dificuldade em dizer que não. Algumas frases que se podem inserir neste estilo de comunicação são “não vale a pena, não se ganha nada com isto”, “tudo bem, fazemos como tu queres”, “não interessa o que eu penso”. As respostas passivas podem incluir hesitações, evitar determinados assuntos, expressar ansiedade, frases longas e desconexas, excesso de justificações, pedidos de desculpa frequentes ou excessivos, expressões de autodepreciação e expressões que mostram uma anulação das próprias necessidades. O objetivo é o de agradar os outros e evitar o conflito e a discórdia a todo o custo.
  • Comunicação manipuladora, a pessoa usa discursos diferentes conforme as pessoas a quem se dirige. Há uma utilização do outro para atingir os fins ou os objetivos, sem, no entanto, o deixar transparecer. A comunicação é um meio para atingir um fim e não ocorre de forma colaborativa. A pessoa com um estilo de comunicação manipulador tende a ser crítica, tanto consigo mesma como com os outros, apresentando uma dificuldade clara em assumir os seus erros e responsabilidades. Algumas frases que se podem inserir no estilo manipulador são “longe de mim tal ideia”, “só te digo isto a ti” … Pode assumir a forma de sarcasmo, chantagem ou insinuação.
  • Comunicação assertiva, caracteriza-se por mostramos por palavras e gestos o que realmente queremos, pensamos ou sentimos, enquanto incentivamos o outro a mostrá-lo também. Quando somos assertivos, conseguimos afirmar a nossa posição sem, no entanto, desrespeitar ou invalidar a posição do outro; somos capazes de negociar perante um conflito e resolver problemas de forma cooperante. Permite-nos ser mais verdadeiros connosco próprios e com os outros, colocando as situações de forma clara, defendendo os nossos direitos sem violar os dos outros. Passa pela capacidade de dizer “não” sem nos sentirmos mal por isso, uma vez que temos bem estabelecidas as nossas prioridades e somos capazes de as afirmar, ouvindo também o outro lado e pedindo ao outro para explicar aquilo que não compreendemos. No fundo, ser assertivo implica compreender que os outros podem ter uma perspetiva diferente da nossa e uma não tem de anular a outra.
A comunicação pode ser comparada a um comboio na realização do seu percurso. Neste sentido, cada axioma (princípios ou leis consideradas verdadeiras e universais e que governam todas as trocas comunicativas) corresponderia a uma carruagem, dando assim estrutura ao “comboio”. Na comunicação funcional, saudável, a viagem seria bem-sucedida e o destino comunicacional seria alcançado. Quando, por algum motivo, o comboio comunicacional encontra obstáculos no seu percurso, o descarrilamento torna-se inevitável (comunicação disfuncional). Perante este cenário, torna-se necessária a renovação da linha ferroviária, que ao nível da comunicação é estabelecida pela metacomunicação (comunicar sobre a comunicação).
Os axiomas da comunicação são os seguintes:
  1. É impossível não se comunicar/todo comportamento é comunicativo;
  2. Toda a comunicação tem um conteúdo e uma relação - a comunicação não só transmite a informação sobre factos, opiniões, sentimentos, experiências (conteúdo), mas, ao mesmo tempo, impõe um comportamento (relação);
  3. Pontuação da sequência dos factos - diz respeito à interação (ação que ocorre entre duas ou mais pessoas e quando a ação de uma delas provoca uma reação da outra ou das restantes) – troca de mensagens – entre os comunicantes
  4. Comunicação digital (O que é dito. Sempre que se usa uma palavra para denominar alguma coisa) e analógica (Maneira como se diz. Toda a comunicação não verbal – postura, movimentos corporais, gestos, expressão facial, tom de voz, ritmo e cadência das palavras)
  5. Simetria (os parceiros tendem a ter o comportamento um do outro. É caraterizada pela igualdade e pela minimização da diferença, “se és mau para mim, eu também sou mau para ti”) e complementaridade (o comportamento de um parceiro complementa o do outro. Baseia-se na maximização das diferenças. Um é dominador e o outro submisso) nas interações.
Para concluir este artigo, deixo-vos uma frase que considero muito curiosa e reflexiva acerca da comunicação: “Comunicação é muito mais sobre o que foi entendido, do que sobre o que foi dito.” Marcelo Scistowicz

Proposta de filmes: Arrival (2016) e The King's Speech (2011)
Proposta de livros: TODOS SE COMUNICAM, POUCOS SE CONECTAM de John C. Maxwell (2015) e O Livro da Comunicação de Mikael Krogerus e Roman Tschäppeler; Tradução: Alexandra Cardoso (2021)

Bibliografia 
Alarcão, M. (2002). (Des)equilíbrios familiares: uma visão sistémica. 2ª ed. Coimbra: Quarteto Editora. (Cap. 3).
Andolfi, M. (1981). A terapia familiar. Editorial Vega.
Gomes, Paula Francisca Costa (2001). A Relação Família-Jardim de Infância: Uma Abordagem Sistémica: Estudo Exploratório. Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação, especialização em Psicologia da Educação pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
Gulotta, Gugliemo. (1976). Commedie et Drammi nel Matrimónio: Psicologia e Fumetti per Districarsi nella Giungla Conjugale. [trad. Comédies et Drames du Mariage: Psycho-Guide Illustré de la Jungle Conjugale. Les Éditions ESF (cap. 7)].
Miermont, J. & cols. (1994). Dicionário de Terapias Familiares: teoria e prática. Porto Alegre: Artes Médicas.
Pereira, D. (9 de setembro de 2022). Estilos de comunicação: tudo o que precisa de saber. Obtido de trabalhador.pt: https://trabalhador.pt/estilos-de-comunicacao-tudo-o-que-precisa-de-saber/
Watzlawick, P., Bavelas, J. B., Jackson, D. D. (1967). Pragmatics of Human Communication: a study of international patterns, pathologies, and paradoxes. [trad. Pragmática da comunicação humana: um estudo dos padrões, patologias e paradoxos de interação. São Paulo: Editora Cultrix (Cap. 1, 2, 3 e 6)].

terça-feira, 12 de setembro de 2023

Vamos falar de Perturbações Alimentares

 


As perturbações alimentares envolvem emoções, atitudes e comportamentos excessivos em tudo o que se refere ao peso e à comida. São, por isso, perturbações de natureza emocional e física que podem colocar a vida em risco. As perturbações alimentares são doenças graves associadas com um nível elevado de morbilidade e encargo com a doença. Têm um impacto negativo em aspetos físicos, cognitivos, sociais e psicológicos de saúde e estão associadas com níveis elevados de mortalidade. (NEDC, 2010; Ordem dos Psicólogos Portugueses, 2014)
Uma perturbação alimentar resulta e é mantida por uma combinação de fatores (e.g. familiares, pessoais, culturais, genética, biológica, psicológica a ambiental) mas normalmente inicia-se com uma dieta. Pessoas bastante preocupadas com a forma corporal e com o peso, raramente se vêm como estando doentes e tentam esconder o seu comportamento. Pessoas com uma baixa autoestima e perfeccionistas, são particularmente vulneráveis a uma perturbação alimentar. (Universidade de Coimbra, 2022)
De seguida, importa referir quais as perturbações alimentares existentes segundo a DSM V:
  • Pica: Ingestão persistente de substâncias não nutritivas, não alimentares, durante um período mínimo de um mês;
  • Perturbação de Ruminação: Regurgitação repetida (fazer voltar à boca ou esófago um alimento que se encontra no estômago) de alimento durante um período mínimo de um mês. O alimento regurgitado pode ser remastigado, novamente deglutido ou cuspido;
  • Perturbação Alimentar Restritiva/Evitativa: Uma perturbação alimentar (p. ex., falta aparente de interesse na alimentação ou em alimentos; evitamento baseado nas características sensoriais do alimento; preocupação acerca de consequências aversivas alimentar) manifestada por fracasso persistente em satisfazer as necessidades nutricionais e/ou energéticas apropriadas;
  • Perturbação de Compulsão Alimentar: Episódios recorrentes de compulsão alimentar. 
  • Anorexia Nervosa: Restrição da ingesta calórica em relação às necessidades, levando a um peso corporal significativamente baixo no contexto de idade, género, trajetória do desenvolvimento e saúde física. Peso significativamente baixo é definido como um peso inferior ao peso mínimo normal ou, no caso de crianças e adolescentes, menor do que o minimamente esperado. Envolve um medo intenso de ganhar peso ou de engordar, ou comportamento persistente que interfere no ganho de peso, mesmo estando com peso significativamente baixo. Trata-se de uma perturbação no modo como o próprio peso ou a forma corporal são vivenciados, influência indevida do peso ou da forma corporal na autoavaliação ou ausência persistente de reconhecimento da gravidade do baixo peso corporal atual;
  • Bulimia Nervosa: Episódios recorrentes de compulsão alimentar e comportamentos compensatórios inapropriados recorrentes a fim de impedir o ganho de peso, como vómitos autoinduzidos; uso indevido de laxantes, diuréticos ou outros medicamentos; jejum; ou exercício em excesso. 
No que diz respeito à prevenção das perturbações alimentares importa salientar duas das principais:
  • Prevenção primária: literacia dos média, que promove uma avaliação crítica do corpo magro ideal e dos ideais de corpo;
  • Prevenção secundária: terapias cognitivo-comportamentais, que promovem pensamentos sobre a imagem e a forma do corpo, a alimentação, o peso, o exercício mais saudáveis e equilibrados. (NEDC, 2010; Ordem dos Psicólogos Portugueses, 2014)
Em relação ao tratamento, deve ser iniciado o mais precocemente possível. Quando mais tardio for, mais difícil será alcançar bons resultados. O papel do psicólogo ou psiquiatra é essencial para um tratamento eficaz das perturbações alimentares. De um modo geral, esta terapêutica deve envolver uma equipa multidisciplinar para detetar e tratar os problemas físicos associados às perturbações alimentares e nutricionistas para desenhar o melhor plano alimentar em cada caso.
Como dicas sobre o que podes fazer perante uma perturbação alimentar, saliento as seguintes:
  • Fazer refeições regulares – pequeno-almoço, almoço e jantar;
  • Se o teu peso for muito baixo, faz também pequenos lanches a meio da manhã, a meio da tarde e à noite;
  • Tenta pensar num passo de cada vez para teres uma alimentação mais saudável. Se não conseguires tomar o pequeno-almoço, tenta sentares-te à mesa durante a hora do pequeno-almoço e beber apenas um copo de água. Quando te habituares a isto, começa por comer qualquer coisa, nem que seja apenas uma tosta, mas fá-lo todos os dias;
  • Mantém um diário do que comes, quando comes e o que pensas e sentes ao longo do dia. Podes utilizar isto para ver se existe relação entre como te sentes, o que pensas e o que comes;
  • Tenta ser honesto(a) sobre o que comes e o que não comes, não só contigo mesmo(a) como com as outras pessoas;
  • Lembra-te que quanto mais peso perdes, mais ansioso(a) e deprimido(a) te sentes;
  • Faz duas listas: uma com o que a tua perturbação alimentar te trouxe, e outra com o que perdeste com ela;
  • Tenta ser gentil com o teu corpo, não o castigues;
  • Certifica-te de que sabes qual é um peso ideal razoável para ti, e perceber porquê;
  • Procura ajuda! (Universidade de Coimbra, 2022)
Como conclusão, deixo alguns dados relevantes. As perturbações alimentares são problemas psicopatológicos sérios que afetam principalmente as mulheres jovens, sendo o grupo de maior risco as mulheres dos 15 aos 24 anos. (Machado, et al., 2004) Wittchen et al. (2011) estimam que as perturbações alimentares afetem 1,5 milhões de pessoas na Europa. Todas as perturbações alimentares têm um grau de mortalidade elevado, acarretam sofrimento pessoal e representam um encargo social e económico elevado. Wittchen et al. (2011) estimam que, na Europa, o impacto económico atinja os €827 milhões. (NEDC, 2010; Ordem dos Psicólogos Portugueses, 2014)

Proposta de filmes: To the Bone (2017) e Compulsion (2013)
Proposta de livros: Distúrbios Alimentares de Suzanne Abraham (2010) e Fome de Perfeição de Diana Mendes (2017)

Bibliografia
American Psychiatnc Association. (2013). DSM-5 - MANUAL DIAGNOSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS. (M. I. Nascimento, Trad.) Artmed.
CUF. (26 de setembro de 2022). Perturbações alimentares. Obtido de CUF: https://www.cuf.pt/saude-a-z/perturbacoes-alimentares
Machado, P. P., Soares, I., Sampaio, D., Torres, A. R., Gouveia, J. P., Oliveira, C. V., & Portugal, C. B.-6. (janeiro-março de 2004). Perturbações Alimentares em Portugal: Padrões de Utilização dos Serviços. revista de informação e divulgação científica do NDCA, 1(1).
Ordem dos Psicólogos Portugueses. (s.d.). Folhetos Anti-Estigma. Lisboa.
Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2014). Contributos da Psicologia no Excesso de Peso, Obesidade e Perturbações Alimentares. Lisboa.
Universidade de Coimbra. (26 de setembro de 2022). PERTURBAÇÕES ALIMENTARES. Obtido de https://www.uc.pt/++preview++/sasuc/ServicosApoioEstudantes/GAP/GAP_DICAS_Perturbacoes_Alimentares.pdf

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Vamos falar de Stresse

 


Todos nós já nos sentimos stressados. Há situações que nos provocam stresse. Normalmente são situações que implicam mudanças que não controlamos. Essas situações podem ser duradouras, mas também podem ser passageiras. Há o stresse do dia-a-dia, por determinados acontecimentos que nos deixam nervosos ou pelas pessoas com quem convivemos, mas também há o stresse provocado por situações difíceis da nossa vida, que não acontecem todos os dias, mas são muito stressantes e demoram mais tempo a resolver. (Ordem dos Psicólogos Portugueses, 2022)
O stresse é a resposta do nosso corpo a um evento ou a uma situação de pressão na nossa vida. (Médis, 2018) O stresse é, normalmente, decorrente de alguma coisa nova ou inesperada, e que, de alguma forma, foge ao nosso controlo. (Médis, 2018) É uma resposta natural (fisiológica e comportamental) do organismo perante situações que nos façam sentir ameaçados, situações de grande pressão, ou situações que representem uma perturbação do nosso equilíbrio. Pode ser positivo, contudo, se persistir por muito tempo, as alterações benéficas passam a ser prejudiciais, manifestando-se no organismo de forma patológica. Uma pessoa sente-se em stresse quando esta sente que não tem capacidade ou recursos para ultrapassar as exigências de uma determinada situação, ou momento da sua vida. (Guedes, 2020; Marques, Pinto, & Figueira, 2016; Basto, 2018)
Numa pequena referência a um tipo de stress específico, o stresse relacionado com o trabalho (work-related stress), também designado por “stresse profissional” ou “stresse ocupacional” é definido como “a resposta que o indivíduo pode ter quando é confrontado com exigências e pressões de trabalho que não correspondem aos seus conhecimentos e habilidades e que desafiam a sua capacidade de lidar com a situação” (OMS, 2010)
Os agentes que induzem stresse podem ser emocionais/psicológicos ou fisiológicos. Como exemplos de stresse emocional ou psicológico temos: problemas interpessoais, término de uma relação, luto e desemprego e como exemplos de stresse fisiológico temos: fome, insónia, hipo e hipertermia, efeitos do uso de drogas psicoativas e sua privação e ainda doenças crónicas e intervenções cirúrgicas. (Marques, Pinto, & Figueira, 2016)

Atualmente, as causas prevalentes para stresse assentam em três vertentes:
  • Ambiente externo como o responsável pelo stresse;
  • Resposta do indivíduo, dando importância às reações pessoais perante os acontecimentos;
  • Relação entre o indivíduo e o meio envolvente assumem o destaque, fazendo parte do processo entre os acontecimentos de stresse e os seus efeitos. (Guedes, 2020)

Relativamente aos sintomas do stresse, poderão ser físicos, psicológicos, emocionais e cognitivos, tais como por exemplo: problemas cardiovasculares e de pele, ansiedade, angústia, nervosismo ou preocupação em excesso, irritação e impaciência, tonturas, problemas de concentração e de memória, sensação de perda do controlo, dificuldade para dormir e dificuldade em tomar decisões.

No que diz respeito às consequências do stress são as mais variadas. Acredita-se que a exposição ao stresse interfere com a patogénese da doença física, causando estados emocionais negativos, como sentimentos de ansiedade e depressão, que por sua vez exercem efeitos diretos nos processos biológicos do organismo. De uma forma indireta, as mudanças comportamentais, que resultam das adaptações e/ou estratégias de "coping" face às situações de stresse, como é o caso do aumento do tabagismo, a diminuição do exercício físico e de horas de sono e a menor adesão à terapêutica médica, dão origem a um caminho importante pelo qual o stresse influencia também o risco da doença.

Para concluir, vou referir algumas estratégias para lidar com o stress, como por exemplo:
  • Evite cafeína, álcool e nicotina;
  • Praticar atividade física;
  • Dormir mais;
  • Alimentação equilibrada;
  • Experimentar algumas técnicas de relaxamento;
  • Manter um diário de stress;
  • Assumir o controlo;
  • Postura otimista;
  • Identificar atividades que contribuam para o bem-estar;
  • Identificar a origem do stresse;
  • Não ser demasiado exigente;
  • Gerir melhor o seu tempo;
  • Partilhar com as pessoas próximas aquilo que sentimos;
  • Pedir ajuda.

Proposta de filmes: Falling Down (1993) e One Nation Under Stress (2019)
Proposta de livros: Como Deixar de se Preocupar e Começar a Viver de Dale Carnegie (2013) e Como Superar as Preocupações e Lidar com o Stress de Dale Carnegie (2021)

Bibliografia
Basto, A. P. (2018). Dia de Consciencialização do Stress. Obtido de UNIVERSIDADE DE LISBOA: https://www.ulisboa.pt/noticia/dia-de-consciencializacao-do-stress
Guedes, A. L. (2020). Ansiedade, stress e burnout: definição conceptual e operacional, inter-relações e impacto na saúde. Universidade Beira Interior: Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Medicina.
Marques, J. C., Pinto, A. M., & Figueira, J. (2016). Alterações fisiopatológicas associadas ao stress – Implicações na doença.
Médis. (2018). STRESS: COMO ASSUMIR O CONTROLO DA SUA VIDA? Obtido de Médis: https://www.medis.pt/mais-medis/bem-estar-e-desporto/stress-como-assumir-o-controlo-da-sua-vida/
Ordem dos Psicólogos Portugueses. (s.d.). Folhetos Anti-Estigma. Lisboa.
Ordem dos Psicólogos Portugueses. (2022). Stresse. Obtido de ESCOLA SAUDÁVELMENTE: https://escolasaudavelmente.pt/alunos/adolescentes/problemas-e-emocoes/stress